Segunda ótima partida do Fluminense no campeonato. Ótima. Time consciente, aplicado, que aceitou ficar sem a bola mesmo jogando em casa, contra um adversário atrás da gente na tabela.

E isso reflete a capacidade do Abel de manter esse elenco na mão. Aliás, é preciso ser dito que as atuações do Fluminense neste campeonato foram todas de bom nível. Se os primeiros jogos não atingiram em qualidade as partidas contra Botafogo e Atlético, não seria justo não reconhecer que nossa equipe tem uma cara e que ela anda bonita, como quase nunca vimos nos últimos anos, inclusive com o próprio Abel no comando.





O Fluminense está se mostrando um time extremamente veloz, que sabe verticalizar o jogo e que anda encontrando espaços no meio para que Jadson e Sornoza sobressaiam. Não foi por acaso que ambos foram os melhores em campo nas duas partidas citadas. Minha impressão é de que temos conseguido mandar no meio de campo em razão da amplitude que esse esquema, com dois alas que realmente saem pro jogo, tem proporcionado nos desenhos táticos das partidas. Os adversários têm mais campo para correr atrás de nossos jogadores. E como estamos atacando com cinco, às vezes seis jogadores, está ficando difícil de marcar esse Fluminense.

Sábado é dia de acabar com esse encanto inexplicável de não vencer a Chapecoense. E vamos vencer. Há muito tempo não vejo nosso time tão assertivo, tão determinado. Seria legal que contássemos com mais tricolores no Maracanã.

Mas esse é uma outra questão, e uma questão que me irrita absurdamente.

O que falta para Pedro Abad entender que simplesmente não está funcionando essa política instituída na precificação dos ingressos? Honestamente só me cabe uma interpretação: ele deve querer menos gente a vaiá-lo nas arquibancadas.

É INCONCEBÍVEL um jogo do Fluminense que joga um bom futebol ter apenas nove mil tricolores no estádio. Tem gente que culpa a torcida, e a esses eu apenas meneio a cabeça pro lado, com preguiça de argumentar. A torcida é soberana. O torcedor vai ou não ao estádio se quiser  e ponto final. Quem é que vai me dizer o que fazer da minha vida? O que o clube tem que fazer é entender seu torcedor. Questionar aonde estão os equívocos que redundam no descolamento evidente entre time e torcida, ou, para ser mais exato, entre clube e torcida.

Na falta de um estudo estruturado sobre isso, ao invés de ficar dando murro em ponta de faca e submetendo o torcedor a uma péssima experiência de confinamento na sul inferior, existem ações concretas e imediatas. E a primeira é rever esse preço de ingresso. O Fluminense tem o dever histórico de aproveitar esse momento de nosso futebol e se reconectar com o torcedor que foi expulso dos estádios nesse processo impiedoso de gentrificação no futebol. Precisamos incentivar os tricolores de lugares mais distantes, de renda média menor. Isso é fundamental. Disso depende nosso futuro. Reconectar com a torcida na via de ações efetivas de acesso é tão importante para a perenidade do Fluminense quanto ganhar campeonato.

Mas nossa diretoria é uma vergonha cognitiva instituída pelas eleições do clube. Não consegue sair das planilhas (e mesmo assim fazem cagada atrás de cagada) para pensar num clube plural e com uma torcida participativa.

Resta ao menos esse time que tem nos orgulhado. Não basta, mas ao menos nos anima.

Afinal, hoje temos time para brigar em cima e para fazer jogo duro contra qualquer um. Favoritos? Nem de longe. Melhor time do país? Certamente que não. Mas o Fluminense quando joga como Fluminense não costuma abrir brecha para detalhes insignificantes como esses. Pedro, nosso centroavante, tem falado bem sobre isso. Estamos disputando o título. E é isso mesmo. Se podemos brigar contra todos em boas condições, que outra opção de análise sobraria para um time com nossa história?

Vamos para cima dos caras.

3 x 0  na Chape pros muquiranas da imprensa começarem a respeitar o Fluminense.

Faltam 62!

Saudações tricolores

CURTAS

– Pedro: cansei de criticar enquanto entendia que merecia. Hoje, não. Cresce a cada jogo. Tem impressionado demais. Isso é fantástico.

– O mesmo do Julio Cesar. Tem se firmado. Se ainda não passa confiança, ao menos tem passado partidas sem um erro sequer. Outro que mercê aplausos.

– Agora, mesmo na vitória: eu acho demais que Abel tem que pensar numa opção melhor que o Renato Chaves. Compromete demais.

44 anos,  é advogado, autor da Ação Popular que possibilitou a volta do Pó de Arroz aos estádios e escreveu sobre Fluminense no Blog do Torcedor do Globoesporte.com entre 2012 e 2018.