Faltam 65!

Após o jogo no Barradão, Abel deu uma entrevista com a qual concordo. Desta vez o Fluminense não venceu na superação.





E não que o Fluminense tenha feito uma partida sem brio, sem doação. Nada disso. Ainda bem que atualmente o time tem jogado com muita vontade e não foi diferente na Bahia. Mas no jogo de domingo nossa equipe venceu porque não se expôs, porque controlou o jogo, principalmente no segundo tempo. Venceu porque jogou melhor, teve mais chances e foi mais organizada que o adversário.

Esse time do Fluminense está longe de encantar seu torcedor. Aliás, muito longe. Estava pensando aqui nos gols do time neste início de campeonato. É incrível como temos dificuldade de construir jogadas, de armar contra-ataques eficientes. Exceção do gol de cabeça do Pedro contra o São Paulo, um gol até certo ponto improvável, numa cabeçada isolada, todos os demais saíram de bolas paradas alçadas na área dos adversários.

Mas querem saber? Melhor comemorarmos muito. Quando a bola não entra em razão da proposta de jogo imaginada, que ao menos entre com uma bola parada consistente. Venhamos e convenhamos, é bem melhor que seja assim do que se fosse na base daquela história do “vem, gol cagado” a que tanto nos acostumamos.

Dentro dessa fase nonsense do clube, permeada por notícias quase que diárias dando conta da absoluta falta de tino gerencial de nossos dirigentes, cada ponto conquistado deve ser sentido como um bálsamo no caminho de uma temporada que não nos provoque urticárias.

Nessa linha, confesso que fiquei muito contrariado de ver que nosso treinador escalou um cara que vinha de mais de um ano sem jogar. Mais um absurdo que ocorre no Fluminense, pensei antes de ligar a TV.

Mas os ventos ao menos por ora estão soprando a nosso favor. O tal do Nathan jogou um futebol pra lá de interessante. Antecipou bem, limpou as jogadas com categoria, mostrou ter, ao menos numa primeira análise, muito mais condições técnicas do que qualquer zagueiro do nosso elenco.

Eu sei, seu sei… quem tem Frazan, Renato Chaves e Gum não pode ficar abusando de falar sobre técnica, mas mesmo assim gostei do que vi. O rapaz me pareceu um pouco acima do peso e meio baixo para a posição, mas se jogou o que jogou com mais de ano afastado dos campos, por que não acreditar que enfim tenhamos encontrado um cara de confiança ali atrás.

Outro que comeu a bola foi o Gilberto. Aliás, foi sem dúvida o melhor em campo, algo fundamental para nossa vitória até porque o Marlon, do outro lado, nem de longe foi tão agudo como tem sido o Ayrton, poupado para o jogo nos 4.000 metros de altitude de Potosí, quinta próxima.

Jadson mal, Richard apenas brigador e Sornoza que parece aqueles leões de zoológico. Vejo o potencial do equatoriano, a facilidade com que toca na bola e enxerga o jogo, e fico a imaginar o porquê de invariavelmente procurar o passe mais lateral. Nosso 10 tem a obrigação de propor o jogo, de enfiar mais bolas, de chegar mais na frente. Mas seja porque está sem fome, seja porque Abel tem insistido em recuá-lo demais, o fato é que precisamos que Sornoza seja mais ponta de lança e menos carimbador de bolas.

No ataque mais um jogo que me faz acreditar que Marcos Júnior em breve perderá a titularidade. Há opções melhores. Nem falo do Robinho, que entra em campo como se carregasse uma bigorna em cada perna, mas para mim está evidente que tanto o Matheus Alessandro, com sua capacidade de partir pra cima com a bola dominada, e principalmente o Pablo Dyego, que tem boa técnica e um físico mais preparado pro tranco, tendem a ocupar melhor os espaços do que nosso bravo Resolve.

2 x 1 com merecimento. Sete pontos em doze disputados, todos contra equipes difíceis de serem batidas, incluindo o confronto contra o Vitória no Barradão. É uma ótima pontuação. Segunda tem Botafogo. Jogo para três pontos. Mas antes, na quinta, acho que viveremos uma daquelas noites cardíacas.

Tenho medo, pavor, do que uma bola variando a quatro mil metros de altitude pode fazer na cabeça do Renato Chaves e nas saídas nem sempre confiáveis de nosso bravo Júlio César. A vantagem é boa, mas as condições serão implacáveis. Jogo para dar tudo. Espero que o Abel pense assim também.

Faltam 65.

Abraços Tricolores

CURTAS

Bloqueio pra cá, penhora pra lá… e segue o Fluminense da Flusócio confirmando a máxima de que sempre pode piorar. Como são fracos nossos dirigentes.
No Twitter muita gente tem se referido ao nosso CEO como CEO led. Acho adequado. Faz muita espuma, mas alguém por aqui já viu, ouviu ou soube de algo efetivamente diferente que tenha saído de nosso executivo?
Pedro participou de todos os gols do Fluminense no BR, confere?
Dissidentes da Flusocio montaram um grupo político. Pregam a inovação e a disruptura de nosso modelo. É ou não é de estarrecer? Amizade, deem a vez para outros. Larguem o osso. Vocês fracassaram.

44 anos,  é advogado, autor da Ação Popular que possibilitou a volta do Pó de Arroz aos estádios e escreveu sobre Fluminense no Blog do Torcedor do Globoesporte.com entre 2012 e 2018.