E não é que o Fluminense é vice-líder do campeonato?

Acho que nem o mais eufórico tricolor imaginava isso antes do brasileirão começar. Eu certamente não.





O fato incontestável é que o time tem jogado um futebol de bom nível, ao menos nas três últimas rodadas. E se contra Atlético e Chapecoense, apesar das vitórias, não conseguiu jogar aquele futebol fantástico da injusta derrota contra o Botafogo, parece-me claro que o nível que estamos apresentando é, sim, de quem disputa o título contra qualquer outro clube do campeonato.

É evidente que só bom esquema tático não é capaz de ganhar sozinho um brasileirão. O mesmo vale para o onze que entra em campo. Só com titulares, por melhor que estejam atuando, um clube não pega sequer G4. E é chover no molhado dizer que numa disputa que envolve 38 rodadas, teremos que rodar o grupo, seja por causa de lesões – muitas -, seja por causa de suspensões, seja porque o titular passou a render menos.

Nosso elenco é estreito. Jogadores abaixo da média ainda atuam em nossa equipe principal, caso, por exemplo, do Renato Chaves, um zagueiro que não inspira confiança alguma. Mas ainda assim, estamos jogando bem. Não existe, afinal, uma máquina de jogar futebol nesse campeonato. Todos os times possuem suas necessidades.

É possível manter a competitividade. Nosso onze está surpreendentemente rendendo muito bem e pode bater de frente com qualquer time, inclusive com o Grêmio, na partida de amanhã.

Mas e quando o onze vira dezesseis? Hoje temos carências nítidas de elenco. Quem substitui a dupla que nos dá volume, Jadson e Sornoza? Quem pode fazer a do Pedro, um cara que anda queimando a língua de quase todos os tricolores que conheço e, é claro, a minha também? Marlon é um substituto à altura do Ayrton Lucas?

As respostas a essas e outras perguntas não são animadoras.

Entendam o que está se passando, meus amigos. Estamos falando de probabilidade de título. Por que não? O time acertou, encaixou, como se diz. Estamos a um ponto do líder e mesmo contra ele podemos bater de frente e vencê-los.

E quando as coisas começam a dar certo, quando a briga passa a ser por coisas maiores, como um pentacampeonato que seria fantástico, o sarrafo necessariamente tem que mudar. Uma coisa é administrar uma realidade de meio de tabela, de briga por uma vaga numa competição sulamericana. Outra, muito diferente, é almejar o campeonato.

Hoje estamos almejando. E para continuar assim precisamos trabalhar também fora de campo.

Nossa diretoria, um verdadeiro caos administrativo, e que vem atravessando períodos críticos de governança com a saída de diretores e vice presidentes em massa, além do Autuori, precisa tirar algum coelho da cartola para poder reforçar o elenco em suas posições críticas. Precisamos de dois meias com capacidade de articulação e no mínimo um atacante experiente que saiba empurrar a bola para dentro. A outra opção, o tal do João Carlos, me assusta.

Ah! Mas não tem dinheiro. Ah! Mas o Peter isso. Ah! Mas o Mário aquilo… A gestão Flusócio nos acostumou a trabalhar com desculpas desde o dia zero. E seguem assim. Está sempre difícil. E piorando. É preciso romper com esse coitadismo e entender as necessidades de aproveitar a boa onda para buscar o título. Não é ação de clube grande se deparar com essa possibilidade e se contentar com uma posição de coadjuvante.

Mas há outra questão que habita a mente dos tricolores: a real possibilidade de, além de não reforçar para suprir as necessidades do longo campeonato, vender os melhores jogadores após a copa do mundo.

Circulam na internet, dia sim, dia também, que Pedro está sendo sondado pelos europeus, que Ayrton Lucas está de malas prontas para sair…

Vou repisar o que sempre digo: se vender esses jogadores após um título teremos muito mais dinheiro no caixa. O Fluminense não tem o direito de se desfazer de jovens talentos que fazem apenas meia dúzia de boas partidas. Isso é pensamento de clube pequeno. Deixem os garotos jogarem. Deixem que tragam conquistas. Somos os vice-líderes de um campeonato dificílimo.

É possível. Mas para isso nossos dirigentes – que estão lá há sete anos – precisam criar soluções condizentes com a grandeza do Fluminense e jogar para escanteio essa política de vender qualquer um a qualquer preço que nos aproxima da administração de um Madureira.

Reforcem o grupo sem desfazer o que está dando certo.

As coisas estão acontecendo. Podemos sonhar. O futebol está sendo bem jogado.

O campeonato também é vencido por quem tem a caneta nas mãos.

Faltam 59.

Abraços tricolores.

44 anos,  é advogado, autor da Ação Popular que possibilitou a volta do Pó de Arroz aos estádios e escreveu sobre Fluminense no Blog do Torcedor do Globoesporte.com entre 2012 e 2018.