Esclarecimento: para elaborar a lista acima não foi levado em conta se os jogadores foram formados e revelados pelo Fluminense. O critério é simples: se passou pelas divisões de base do clube, entra na lista.

 

As primeiras competições no Rio de Janeiro do que hoje chamamos “divisões de base” aconteceram em 1916. Naquele ano a Liga Metropolitana de Sports Athleticos, entidade responsável pelo futebol carioca, realizou o primeiro campeonato da categoria infantil. Dois campeonatos na verdade: de primeiro quadro e segundo quadro. O Fluminense conquistou os dois títulos e destas equipes campeãs faziam parte dois jogadores que estariam na primeira Copa do Mundo, 14 anos depois. Nilo, que aos 13 anos jogava no primeiro quadro, e Preguinho, que aos 11 jogava no segundo.

Os campeonatos infantis não duraram muito, foram disputados apenas até 1919. Nos anos 20 haviam apenas amistosos esporádicos de equipes infantis e juvenis. Foi nestes jogos que surgiu outro jogador que estaria no Uruguai em 1930, o half-esquerdo Ivan Mariz.

Mas as divisões de base do Fluminense só passaram a ser levadas realmente a sério na segunda metade dos anos 40, quando os crescentes custos com o futebol profissional levaram a diretoria tricolor a criar o Plano de Renovação de Valores. Como fruto desse trabalho o Fluminense conquistou o pentacampeonato de juvenis entre 1947 e 1951 e o tetracampeonato de aspirantes entre 1951 e 1954. Revelou uma série de jogadores para a equipe principal. Dois deles chegaram à Copa do Mundo de 1954: o zagueiro Pinheiro e o goleiro Veludo.

Já nos anos 60 o clube contribuiu para a Seleção com os laterais Jair Marinho e Altair, garimpados no futebol de Niterói, e com o volante Denílson, oriundo do Madureira.

Na Copa de 70 foi a vez de Carlos Alberto Torres brilhar como o capitão da maior seleção de todos os tempos. Revelado pelo Fluminense, o lateral direito chegou ao profissional em 1962 com apenas 17 anos. Conquistou o campeonato de 1964 pelo Flu e no seguinte foi vendido ao Santos, clube que defendia na época da Copa.

Nesta mesma copa tivemos o lateral-esquerdo Marco Antônio. Descoberto na Portuguesa Santista, veio para o Fluminense em 1968. Com uma trajetória meteórica, ainda em 1968 conquistou o Campeonato Carioca em duas categorias: infanto juvenil e juvenil. Em 1969 foi campeão no profissional e em 1970 estava na Seleção Brasileira. Perdeu a titularidade para Everaldo, segundo dizem, por sua inexperiência e excesso de ofensividade.

Nos anos 70 o Fluminense viveu talvez o seu melhor momento em termos de divisões de base. Um trabalho que revelou diversos bons jogadores ao longo da década e culminou com a conquista do Campeonato Carioca de 1980 com um time quase todo formado em casa. Dessa fase, chegaram a disputar Copa os zagueiros Edinho e Abel, o lateral Edevaldo, o goleiro Paulo Sérgio, que quase não teve oportunidades no Fluminense e foi convocado em 1982 quando atuava pelo Botafogo, e até o zagueiro Ricardo Gomes, que em 1978 já era campeão infantil pelo Fluminense.

Com trajetória semelhante à de Marco Antônio tivemos o também lateral-esquerdo Branco. Desconhecido, com passagem pelas divisões de base do Internacional e pelo time profissional do Guarani de Bagé, chegou às Laranjeiras em 1982, pouco antes de completar 18 anos. Naquela temporada jogou pela equipe de juniores, mas já no ano seguinte estreava no time principal, conquistando o título carioca. Em 1984 levantou o bicampeonato e o campeonato brasileiro, e em 1985, aos 21 anos, recebeu sua primeira chance na seleção, além de conquistar o tri pelo Fluminense. A partir daí foram três copas disputadas e uma conquistada.

Por fim temos a era Xerém. O centro de treinamento localizado em Duque de Caxias, reformado na segunda metade dos anos 90, quando o Fluminense voltou a olhar com a devida atenção para a formação de atletas. Dois deles chegaram à Copa. O zagueiro Thiago Silva, que teve uma rápida passagem ainda bem garoto pelo Fluminense e acabou sendo revelado no futebol gaúcho, se tornando conhecido da torcida tricolor apenas quando retornou, já como profissional. E o lateral Marcelo, esse sim revelado pelo Fluminense e vendido ao Real Madrid após brilhar em sua primeira temporada no time de cima, em 2006.

 

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João Claudio Boltshauser (Bolt pra facilitar) curte escrever sobre o Fluminense Football Club, em especial sobre sua história. Aquela que traduz a predestinação para a glória.