Estava ontem na Praça São Salvador conversando com dois amigos muito bem informados sobre os podres – poderia dizer “as coisas”, mas podres define melhor – das Laranjeiras. Quem será o novo  técnico do Fluminense no lugar de Abel Braga (obrigado, Abelão!) era o tema da resenha.

– O Marcelo Teixeira (mas ele não era da base?) e o Fabiano Camargo (VP de futebol, cabe sempre esse cara-crachá-cara-crachá) não querem efetivar o Leo Percovich – disse um deles.

Respondi, de bate-pronto, o óbvio:

– Então, é evidente que será o Leo Percovich.

FOTO DE MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC

No Twitter, dia destes, o brilhante Beto Sales (vale muito seguir) postou: parecia claro que a gestão soltaria vários balões de ensaio para, recusados os convites, manter o treinador da base no cargo. Ao olhar para dentro do clube e para as opções mercado afora, como não ver como nesse o caminho óbvio?

Zé Ricardo, Dorival Júnior, quiçá Cuca… A lista de negativas vai aumentando à medida que nomes minimamente razoáveis mínguam. Quais sobraram? Oswaldo de Oliveira? Ricardo Drubsky? Algum gringo De León 2.0? O Senhor Waldemar?

Ao apresentar a xepa remexida da feira, a gestão espera que o nome de Leo seja bem aceito. E aí, amigos, quem não vai preferir o ex-goleiro?

O problema é que esse contorcionismo na verdade é um sofisma mal dissimulado. O Fluminense hoje virou um clube no qual um técnico novato e em início de carreira como o Zé Ricardo prefere não se aventurar. Ou um profissional já rodado, parado, sem grande cartaz atualmente como o Dorival decline do chamado.

Os nada bravos dirigentes conseguiram colocar o Fluminense numa posição inferior à do Botafogo na disputa por um novo treinador. As opções são basicamente as mesmas. O sujeito olha os dois clubes e vê mais organização em General Severiano. Percebam nossa fase.

E quem há de culpá-los?

Um presidente perdido e que tropeça em suas próprias pernas, tal qual um Jânio Quadros tricolor, incapaz de exercer minimamente a função para a qual foi eleito. Um vice-presidente de futebol que deve ser mudo, gago ou grego, porque sequer conhecemos sua voz, uma vez que jamais apareceu para dar explicações.

Um cofre que mais parece o vale do eco de tão vazio. Um futuro próximo sem perspectivas de grandeza. Uma política em ebulição, feita por egos de quem já esteve lá e deu sua contribuição para afundar o clube. Sem contar os arrependidos da Flusócio que agora criam novos subgrupos, sem dar a cara – claro -, como o tal Pró Flu.

Dá para entender, inclusive, por que nem o Leo Percovich quer assumir esse fardo. Sim, o Fluminense, o gigante Fluminense, virou um fardo. Se nós torcedores não podemos fugir dele, os profissionais podem – e assim o estão fazendo.

Sempre gostei do Leo. Lá em 1996, o considerava um ótimo goleiro, já desde os tempos de Bangu. No jogo da invasão contra o Atlético-PR, eu estava entre os torcedores que o esperavam na saída do portão. Ouvi seu discurso emocionado de que não seríamos rebaixados. Acompanhei quando o colocaram nos ombros e o levaram até seu carro, no estacionamento do outro lado da Pinheiro Machado. Mas ele não é nem de longe o nome ideal para o momento.

Sabemos como terminou aquele ano. Poderá o Leo prometer o mesmo desta vez? Ou quem quer que entre em seu lugar?

Sempre tem um gaiato para ventilar o nome do Luxemburgo. Quero acreditar que seja piadinha de rival. Até porque, ao contrário de 2013, desta vez não teremos o Flamengo logo ali para cair em nosso lugar.

E lá vem Frazan

Há tempo para, pelo menos, acabar o ano com relativa tranquilidade. Para isso, a gestão Abad-Flusócio precisa, urgentemente: definir o técnico, não vender Pedro e Ayrton Beijoca e pagar os salários em dia. É o mínimo do mínimo.

Que saia uma ou outra peça, faz parte. O problema é não repor. Ontem à noite, Luan Peres, que vinha com razoáveis atuações, optou por se transferir para o futebol belga. O Flu deve receber uma indenização de cerca de R$ 2 milhões.

O valor ajuda, claro. Ainda mais para uma gestão incapaz de arrecadar dinheiro e que vive de torcer para que outros clubes vendam bem nossos ex-jogadores, a fim de receber um qualquer.

O diabo é que o Frazan volta a ser opção. Havia o Reginaldo, apenas razoável, mas muito melhor. Só que este foi para a Ponte Preta porque o Abel não o curtia. Vai entender.

Então, eis Frazan novamente.

– Na terça-feira, também na Praça São Salvador, vi a movimentação de algumas organizadas do Flu e logo percebi que os rumores de protesto eram verdadeiros. Não houve invasão, quebra-quebra, apenas pressão. Tem, pois, meu apoio. Pressão nessa turma.

– Se houvesse alguma decência no clube, este ano não haveria Flu Fest. Faz o lançamento do livro, devolve o dinheiro, agradece ao Evadro Mesquita e vamos cuidar do futebol. Mas claro que não há qualquer sentimento nobre nas Laranjeiras atuais. Afinal, essa rapaziada estará lá dançando e comemorando o quê?

– Obrigado por tudo, Abelão. Nenhum outro técnico teria aturado tanta incompetência e tocado o barco mesmo assim. Os erros fazem parte. Entendo o cavalheirismo de não sair chutando a porta. Vá cuidar de você e boa sorte em tudo nesta vida.

– Não é possível que a gestão Abad-Flusócio não deixe o tricolor acompanhar a Copa do Mundo sossegado. Não é possível.

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Jornalista e pitaqueiro, andou metendo o bedelho no GloboEsporte.com, LANCE! e no balcão mais próximo.