Richarlison chegou no Fluminense ano passado depois de uma boa série B pelo América MG.

Moleque novo, veio como aposta, aposta cara é verdade (R$ 10 Milhões por 50% dos direitos), mas ainda assim aposta.

É valor de jogador pronto, ainda mais num clube que conta dinheiro. E foi tratado pelo clube, erradamente, como jogador pronto.

Mais que isso. O Fluminense tratou Richarlison como substituto do Fred. Hoje irão negar, mas foi contratado pra isso.

Veja o que o Peter falou em entrevista ao Lance: “A saída de um ídolo deixa saudades, mas não impede que o clube continue com o foco de construir um futuro. Temos dois promissores camisa 9. O Richarlison, que foi uma aquisição, e o Pedro, que ainda tem mais dois anos de sub-20 pela frente. O foco no Fluminense é ter um desenvolvimento sustentável, não trabalhamos pensando em alívios imediatos.”

Há dois erros aí:

1 – Richarlison foi contratado como substituto de Fred, camisa 9. Nunca foi. Sempre rendeu mais pelo lado do campo. Fico me perguntando como um clube de ponta como o Fluminense contrata um jogador sem ao menos conhecer sua característica, como joga, como gosta de receber a bola e quais as funções que é capaz de executar. É tudo empírico. Foram conhecendo o jogador ao longo do tempo.

2 – Arriscar num campeonato difícil como o brasileiro colocar dois meninos não prontos para disputar a posição de centroavante. Pedro, inclusive, um ano depois, ainda não está pronto.

Resultado? Nem Pedro, nem Richarlison performaram em 2016. Com isso o Fluminense correu (e quem corre faz maus negócios) e contratou o Dourado por um valor maior do que recebeu pela venda do Fred, ídolo do clube e jogador de nível de seleção. E tome de  estrangular o caixa do Fluminense…

Veio 2017.

Hoje Richarlison, na sua verdadeira posição, começa a render. Ele e Dourado são a melhor dupla em ação do futebol brasileiro no ano.

No auge da performance do jogador no clube, quando o jogador começa a dar o retorno esportivo esperado, ele sai.

Financeiramente foi bom. Foi, claro. Compra por 10, vende por 45, umas 23 milhas são do Flu, paga quem tem que pagar e sobra uma grana que talvez pague 2 folhas de pagamento mensais.

Sem  Richarlison em campo a nossa chance de libertadores em 2018, que já nem era muito grande, reduz consideravelmente.

E agora a gente começa um novo processo com um outro jogador também jovem, outra incógnita. E quando esse processo começar a dar frutos esportivos vamos vender de novo.

E sem usar essa grana para contratar jogador pronto e que pode nos ajudar agora e mudar o Flu de patamar esportivo.

Só garoto. Só aposta. E antes do retorno, o Fluminense vende.

Não dá. Essa filosofia nos diminui ano após ano.

E nem dá pra dizer que vamos virar o Botafogo.

Porque virar o Botafogo já seria ótimo em 2018.

 

Dedé Moreira avatar

Blog do torcedor do flu no Globoesporte, Futebolzinho.com. Gestão Técnica de Futebol e Análise de Desempenho pela Universidade do Futebol.