Urublog

Urublog, o Blog do Torcedor do Flamengo liderada por Arthur Muhlenberg!

Só As Mães São Felizes

Todos os times felizes são parecidos; os infelizes são infelizes cada um a sua maneira. Até quem acompanhou as ultimas 45 temporadas do Flamengo tem dificuldade em apontar um ano tão infeliz como 2017. Esse Flamengo que conseguiu a façanha de chegar à última rodada do campeonato sem ter feito o dever de casa de se classificar para a fase de grupos da Libertadores pode ser acusado de tudo, menos de não distribuir a infelicidade com notável equanimidade. Tem infelicidade em baldes para todos, jogadores, funcionários, cartolas e torcedores. No choque frontal entre as altíssimas expectativas da torcida (adubadas por balancetes benignos, contratações vultosas e a natural megalomania rubro-negra) e a concretude da realidade restaram poucos sobreviventes entre as ferragens. E entre estes alguns r...

1987 – O Universo em Desencanto

Antes de iniciar a leitura de 1987 – A História Definitiva, de Pablo Cardoso, convém ao leitor ser informado de que a obra apenas parece ser um livro sobre futebol. Não se iluda, apesar do título, do jeitão da capa e das origens rubro-negras do autor, não se deve esperar encontrar em suas 307 páginas apenas o relato apaixonado de uma épica vitória do Flamengo. Ao contrário, 1987 é uma profunda, alentada, quiçá obsessiva, investigação sobre uma derrota. Uma derrota tão determinante para os destinos do futebol brasileiro quanto o Maracanazo em 50 ou a tragédia do Sarriá em 82. Uma derrota cujos efeitos, reflexos e desdobramentos são sentidos até hoje. Portanto atenção, ò leitor, 1987 – A História Definitiva não é um livro de futebol. É um livro de História do Brasil, assim mesmo,...

Duro é Ser Flamengo no Uruguai do Norte.

“Ai, que preguiça!” (Mário de Andrade em Macunaíma – 1928) De uma maneira geral sou um sujeito preguiçoso. Entre todos os capitais a preguiça é o meu pecado preferido e o que menos culpas e nóias me provoca quando estou pecando. Essa postura relaxada e destemida em relação à preguiça muito se deve ao fato de pratica-la diariamente com notável regularidade. E também a uma compreensão mais humanista do termo. A definição de preguiça como mera aversão ao trabalho ou a qualquer atividade física ou mental que mobilize esforço é medieval, além de reducionista. Mário Quintana dizia que a preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda. A preguiça” não é uma característica estritamente humana: na natureza, muitas vezes, é uma...

Separando os Meninos das Meninas

Foi um Fla-Flu de arrepiar. Com direito a todos os acessórios que compõem os grandes jogos. Mengão fardando calções brancos, gol das moças no começo, porrada liberada sob a supervisão de juiz argentino safado, imprevisibilidade absoluta e meia dúzia de gols. Quem foi ao Maracanã se deu bem, fez um excelente negócio. E quem ficou em casa e assistiu pela TV também não ficou no preju, apesar da insistência dos comentaristas e locutores que estavam de serviço em torcer contra o Flamengo. O imparcial Juninho Pernambucano, escaldado freguês do Flamengo, citou até um escalafobético conceito de violência positiva. Suspeito que em respeito ao Junior Maestro, com quem dividia a bancada, Juninho poupou os telespectadores de muito constrangimento ao não detalhar no ar essa batatada filosófica. Pas gra...

Calos nos Olhos

  Mas é que se agora pra fazer sucesso Pra vender disco de protesto Todo mundo tem que reclamar Eu vou tirar meu pé da estrada E vou entrar também nessa jogada E vamos ver agora quem é que vai güentar   Ao fim de embaraçosos 95 minutos de desfutebol protagonizados pelas três equipes em campo (nós, a bigoda e a juizada sem vergonha) no crássico dos milhões disputado no sábado à noite só podemos chegar à uma conclusão: O Flamengo x Vasca pelo returno do Brasileiro não passou de um monumental desperdício de nota oficial. Pra que a PM, o Ministério Público, a CBF e o Flamengo se meteram em contenda pública durante semanas, mobilizaram seus staffs e encheram o saco de geral pra marcar o lugar da pelada? Pela bola que jogaram Flamengo e bacalhau, o Aterro, que por toponímia também é nossa c...

Chuva de Pedras

A vitória do Flamengo sobre o apequenado Fluminense pela Sula não foi surpresa pra ninguém. A despeito da rivalidade e do peso histórico que tende a equilibrar o ancestral cotejo independente do momento vivido por cada equipe, uma vitória das meninas de Laranjeiras ontem poderia ser encarada como um violento ataque à lógica. Se é que serve de consolo para uma temporada frustrante, o Flamengo nesse fim de 2017 está visivelmente mal das pernas, mas o Fluminense está mal do corpo todo. Principalmente da cabeça e do bolso. É um time bravo, muitas vezes violento, que dá muita unhada, mas limitadíssimo. Que deve sua sobrevivência nas competições em grande parte ao carisma do seu treinador e à sua tradição, que desta não há quem escape e não falta quem queira ajudar nas altas esferas da putaria n...

Rueda de La Fortuna

Aos poucos, bem devagar e sem assustar os transeuntes, o Flamengo vai dando alguns sinais de que está começando a se arrumar. O time em si ainda tem muito o que melhorar, ou como preferem dizer os motivadores, ainda tem muito espaço para o aprimoramento. Mas a série invicta bajo la administración Reinaldo Rueda já alcança 4 jogos. Não é nada pro Flamengo Mitológico, que detém o recorde nacional de 52 partidas sem perder, mas são 360 minutos em que nem gol tomamos e nos quais, isto sim é importante, o Flamengo tem jogado sempre melhor do que jogou no jogo anterior. Como se diz na Colômbia, Rueda hizo su Agosto. É meio que comum que todos os times deem uma melhorada imediatamente após a chegada de um novo treinador. Os jogadores sempre ficam mais espertos, todo mundo treina com vontade, titu...

O Fim do Café-Com-Leite.

O Flamengo venceu um jogo importante. Aleluia! Descontado o pouco competitivo carioqueta, que ficou combinado que não vale nada nos anos em que é vencido pelo Flamengo, foi a primeira vez em 2017 em que se pode dizer sem relativização que a missão foi cumprida. Mas, para evitar qualquer manifestação de oba-oba, é sempre bom lembrar que o Flamengo não fez mais que a sua obrigação. A semifinal da Copa do Brasil foi um duelo extremamente desigual. O Botafogo jamais teve qualquer chance. Muito ao contrário da narrativa desenvolvida pela crônica esportiva, dentro das quatro linhas o Botafogo ganiu de humildade diante do poderio avassalador do Flamengo. O Botafogo começou a ser eliminado antes mesmo de entrar em campo. E sacramentou a sua desclassificação quando dele saiu pela primeira vez, lá n...

Resposta ao Amigo Alvaro Marechal

  Prezado amigo Marechal, Bem podes imaginar a alegria provocada pela chegada de sua carta à minha desprestigiada caixa postal. Na profunda irrelevância da minha correspondência habitual, precedida por faturas de TV a cabo, resumos de notícias que não solicitei e cobranças sem fim, sua tréplica luzia como gema preciosa e provocou a mesma sensação do anúncio de um novo livro do autor preferido, daqueles que temos que começar a ler imediatamente. Às vésperas de um jogo que se anuncia tão definidor para o resto do ano, tanto do Flamengo quanto do Botafogo, é absolutamente natural que nós, torcedores, procuremos extravasar a tensão acumulada através de atividades amenas que não estejam contaminadas pelo clima bélico com que se deixou envolver o jogo de quarta-feira. Diante das práticas vâ...

Carta ao Meu Amigo Botafoguense Alvaro Marechal

Caro amigo Alvaro, Que grata surpresa receber sua simpática missiva ao fim do jogo de ida da semi da Copa do Brasil. Como é do seu feitio você aparece compartilhando conhecimento, exaltando nossos grandes das artes e, o traço que mais admiro em sua prosa, indicando onde e como podemos mitigar nossa ignorância. Após o conciso  e inspirado perfil biográfico do rubro-negro Wilson Baptista com que me brindou nos primeiros parágrafos da sua carta a referência ao livro “Wilson Baptista: o samba foi sua glória! “, do Rodrigo Alzuguir, foi mais do que uma cortesia, a entendi como um auxílio necessário a um neófito na história da música popular do meu naipe. É verdade que logo depois você não se furtou a relatar o “mico” do lançamento do hit “Samba Rubro-Negro” em um malsucedido Fla-Flu de 1955. Fa...

Rueda, Jayme e o Dasein Flamengo.

Quando somos pequenininhos e ganhamos nosso primeiro Manto Sagrado ninguém, nem pai, nem mãe, nem tio ou padrinho, nos explica o que ser Flamengo significa exatamente. Geralmente quem nos oferta o Manto também não sabe e às vezes nem Flamengo é. Cada um de nós precisa descobrir sozinho, com as ferramentas que tiver à mão, que vestir aquele Manto significa muito mais do que usar uma roupa extraordinariamente bonita. O processo dessa descoberta pode levar anos. Ser Flamengo de forma plena e integral implica em assumir uma identidade coletiva pré-existente e ao mesmo tempo ser um ente destacado, capaz de questionar o ser e compreende-lo. Como o Dasein de Heidegger, que se não fosse alemão e tivesse nascido na Vila da Penha certamente chegaria ao elemental Didididiê pra nos ajudar a segurar es...

Pobre Menina Rica

Deus me dibre de fazer apologia da pobreza, me inclino muito mais à doutrina de Justo Veríssimo do que à regra franciscana. Mais importante que amar o pobre é ser inimigo da pobreza. Mas até os argentários sem coração tem consciência de que com dinheiro se compra uma casa, mas não se constrói um lar. Por mais ilimitados que sejam os recursos existem coisas que o dinheiro não compra. Porque não estão à venda. A bola não entra por acaso, mas os cemitérios estão repletos de sepulturas de times milionários que não souberam fazer a bola entrar. Já está mais do que provado que no futebol dinheiro ajuda, mas não resolve. Raça, vontade, determinação, amor à camisa, horror à derrota e sorte de campeão, por exemplo, são como os metais preciosos. Não estão em uma prateleira do supermercado à espera d...

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