Beque Parado

La Casa de Papelão


“Sabíamos que uma hora ou outra acabaríamos perdendo uma partida” – Rever “You don’t believe, that’s why you fail” – Yoda Setenta e dois meses. Cinquenta e duas mil, quinhentos e sessenta horas. Uma Copa do Brasil. (Por favor, dispenso eventuais correções como ‘faltou mencionar o Carioca’. A omissão é proposital) Incontáveis contratações equivocadas, para usar um termo gentil. Os indicadores acima são, claramente, da administração do futebol na gestão do atual presidente, cujo mandato encaminha-se para um melancólico apagar das luzes. O inegável e louvável talento com as finanças sucumbiu à autossuficiência e prepotência de quem dirigiu o futebol sem a autocrítica necessária que os fizessem escolher pessoas capazes de tocar o depa...

O paradoxo de Zenão


Zenão de Eleia foi um filósofo pré-socrático que viveu em por volta de 430 a.C. Seu método filosófico consistia em enunciar paradoxos, dentre os quais destaco o que é conhecido no meio matemático como Paradoxo do Arqueiro de Zenão: “Um arqueiro está distante 2 metros do alvo. Admita que a flecha ao ser lançada percorra sempre a metade do caminho restante. A flecha alcançara o alvo?” Aproveito, quase 2500 anos após Zenão, para adaptar este que é um de seus mais conhecidos paradoxos à realidade futebolística a que estamos desgraçadamente nos acostumando: “Um time está distante 2 metros do líder do campeonato. Admita que o time, nas rodadas mais importantes da reta final, percorra sempre a metade do caminho restante. O time chegará à liderança?” O Flamengo é a reencarn...

Diegos


“O bem do Flamengo é mais importante que a minha titularidade”  “Não vou viajar” Ambas as declarações foram dadas por dois dos jogadores mais importantes do elenco. Ambas ditas por Diegos. A primeira, por Diego Ribas, que começou no banco contra o Paraná, vibrou a cada gol e mostrou inquietação durante todo o período em que esteve fora da partida, gritando e incentivando o quanto pôde. Diego Ribas não vem bem há algum tempo. Seu nome já não é uma unanimidade na escalação e com merecimento, pois realmente caiu de produção. Mas sua postura fora de campo, contribuindo para a coesão do time, faz toda a diferença. E no Flamengo as coisas funcionam assim. A segunda declaração foi feita por Diego Alves, o grande goleiro que, com seu espírito de liderança, foi peça fundamen...

Wind of Change


Assim que terminou o Fla x Flu, tratei de colocar meus óculos de leitura (uma dura realidade com a qual ainda estou me acostumando – coisas da idade) e fui dar uma lida na bula da pomada Nebacetin, que guardo em casa por causa das crianças. Pelo que rapidamente pude ler, o medicamento é indicado para prevenir infecções de pele e/ou de mucosas após ferimentos, cortes (inclusive de cirurgias) e queimaduras pequenas. Essa última indicação era a que estava procurando, mas não vi em nenhum trecho da bula a recomendação de seu uso para queimaduras na língua. Sendo assim, preferi não arriscar. Admito, queimei a língua. Ok, estamos a léguas de podermos nos sentir aliviados. Pelo contrário: o time dar algum vestígio de liga pelo simples fato de termos um técnico minimamente tarimbado só dá ma...

Aperta o verde e confirma


Ontem o novo técnico do Flamengo, Dorival Junior, fez sua estréia no campeonato (obviamente o jogo de sábado passado, contra o Bahia, não contou) e o que se viu, ainda que com muitos problemas, foi uma elementar mudança de postura. Ao que parece, a vontade de ganhar, há algum tempo fora do radar do time, voltou a dar as caras. A estrada é longa e o caminho está longe de ser deserto, mas com um jogo apenas, o Flamengo sob novo comando já imprimiu uma marca histórica: foi o responsável pela maior derrota do dono da casa no Itaquerão. O resultado, importantíssimo, não deixa de nos fazer remoer uma amarga recente decepção. Por que esse empenho não foi mostrado há nove dias, contra o mesmo Corinthians, no que era o nosso jogo mais importante do semestre? Vitinho, reforçando o que eu disse aqui ...

Meu pedido de Natal


“Querido Papai Noel Desculpe-me por lhe escrever tanta antecedência. É que eu acho que, à medida que o Natal se aproxima, a quantidade de cartas que chegam ao senhor aumenta consideravelmente e não quero correr o risco de que a minha se perca entre tantas outras. E, também, porque já decidi o que quero ganhar neste Natal. Não sei se na Lapônia tem TV por assinatura que transmita os jogos do Flamengo. Se tem, o senhor deve ter visto a temporada do time em 2018. Deve ter visto que, desde janeiro, a equipe deve ter feito umas duas ou três muito boas atuações, em situações-chave que nos fizeram acreditar que poderíamos ir a algum lugar este ano. Mas a dura realidade, senhor, é que este time tem uma aura derrotista que lhe é indissociável, infelizmente. Somada a ela, um comando cuja escol...

Semana cheia, pauta vazia


Foto: Gilvan de Souza/Flamengo Esta semana fiz uma enquete no grupo do qual faço parte, cujo assunto é Flamengo (se vocês me acham pessimista é porque não conhecem os demais integrantes desse grupo…): sobre o que eu deveria escrever esta semana, em que nada de muito importante aconteceu dentro das quatro linhas. A título de curiosidade, alguns dos assuntos levantados foram: um retrospecto da administração EBM; a insistência com Barbieri; o que esperar desde fim de temporada; Flamengo tuitar sobre Bolsonaro; a participação de Aloísio Chulapa na atual edição da Fazenda. Confesso que me empolguei com este último assunto, mas o programa é ruim demais para me fazer acompanhar. Então me lembrei do meu trabalho. Talvez alguns ainda não tenham lido a descrição deste autor na assinatura da co...

Leão sem dente


Foto: Lucas Tavares/O Globo A Sombra e a Escuridão é um filme de 1996 baseado na história real dos incidentes em Tsavo, ocorridos em 1898. Leões matadores de gente aterrorizaram a região, localizada no oeste do Quênia. O caso chamou atenção pela brutalidade dos ataques e pelo padrão puramente assassino – nem sempre os animais matavam para comer; matavam por matar. Estamos em 2018. Em Vargem Grande, mais exatamente no CT do Clube de Regatas do Flamengo, conta a lenda que existe um leão com aparência assustadora mas que, com poucos minutos de confronto, mostra-se inofensivo, muito pela completa ausência de dentes, o que faz sua dieta ser restrita apenas a eventuais refeições líquidas ou pastosas. O Flamengo de hoje é o leão sem dente de Vargem Grande. No jogo de ontem, contra um dos pi...

Havaianas em alto-mar


Foto: RAUL PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO O Flamengo no pós-Copa reeditou o bonde sem freio dos tempos de Ronaldinho Gaúcho. Desta vez, contudo, não no sentido de atropelar todos sem tomar conhecimento, e sim de um bólido desgovernado, cujo destino fatalmente tudo indica ser um muro que resultará em (mais) um ano em que a realidade jogou um balde de água fria na expectativa. Será possível que a saída de um jogador – Vinícius Jr – tenha sido o gatilho para uma sequência de atuações desastrosas, pontuadas por ilhas de lucidez cada vez mais raras, como o jogo de ida contra o Grêmio em Porto Alegre? Por que Lucas Paquetá despencou de produção de forma tão acentuada? Quem endossou a contratação de um jogador com mais de 3 mil minutos ser marcar um gol? Eu poderia seguir meu lame...

Uma Verdade Inconveniente


O título da coluna da semana foi emprestado de um documentário norte-americano de 2006 sobre a campanha do ex-Vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, para educar os cidadãos do mundo acerca do aquecimento global. Porém, como você já deve imaginar, não é sobre o fenômeno climático as verdades inconvenientes desse texto, e sim um resignado desabafo após outra atuação que deixou a desejar. Tem muita gente boa que sustenta o discurso de que “o Flamengo é céu ou inferno”, que o time é bipolar, que vivemos numa montanha-russa de desempenho, que nosso gigantismo superdimensiona tudo etc. “Ah, o Flamengo é céu ou inferno…”. Até é, mas vamos lá: em todo clube grande é assim. Temos que parar de achar que pertencemos a algum planeta diferente. Nossa torcida é tão pa...

A bigorna virou martelo


Antes de mais nada, peço desculpas pelo atraso na coluna. Uma gripe daquelas derrubou este que vos escreve e, somente graças à mágica da alopatia, ganhei alguns momentos de disposição para entregar o texto da semana. De certa forma acabou sendo bom, porque o foco dele não será o jogo de quarta. Muita gente mais talentosa já escreveu sobre a heroica classificação contra um Grêmio que atuou como o Flamengo do jogo de ida. Depois do fiasco na Rússia, eis que o encantador de jornalistas volta aos holofotes ao convocar, para estes inexplicáveis amistosos de setembro, jogadores do Flamengo, Corinthians e Cruzeiro. Uma convocação absurda para dois jogos absolutamente desnecessários, mas que podem causar um enorme estrago ao Flamengo, pois Lucas Paquetá está na lista. Se a Colômbia chamar Cuellar,...

Quarta Pobre


Ha uns quatro anos, voltando para casa após uma semana de trabalho, estava no aeroporto Santos Dumont fazendo check-in e despachando minha bagagem para Campinas. Tudo certo – ou quase certo: lhes pouparei dos detalhes, mas eu entrei no avião errado e fui parar em Santa Catarina. Resultado: fiquei à noite em Navegantes e minha bagagem tomou o rumo oposto. Acredito que o futebol do Flamengo passou por situação parecida e pegou um voo diferente em Porto Alegre e só quem veio ao Rio de Janeiro foram os jogadores. O que se viu ontem no Maracanã foi um desastre completo, uma equipe que um desavisado poderia jurar ter se conhecido ali mesmo no estádio, no vestiário. Em nenhum momento da partida, o Flamengo ameaçou o Cruzeiro e, rapidamente, a torcida percebeu que nada de bom aconteceria naq...

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