Flamengo

Notícias do Flamengo

O adeus e o Maraca


Eu confesso pra vocês que nunca achei que seria tão difícil dizer adeus. Logo eu, que tive que me despedir do meu grande idolo de 87. Sim, ser velha tem suas vantagens rs, então eu vi Renato partir… Vi Leonardo e vi Adriano. Mas nada nunca doeu tanto quanto soltar a mão de Vinícius e de Vizeu. Essa geração que vimos crescer desde a raiz, e na hora do “vamo ver”, o sonho do sucesso no velho continente vai levar embora. Só quem estava no Maracanã sentiu o peso que carregava cada coração Rubro-Negro. Não está fácil abrir mão, é como deixar um filho ir, a gente tem medo que não esteja preparado, que sofra longe da gente, mas sabe que ele tem que ir, que tem que sair do aconchego e ganhar o mundo. E eles vão, nossos meninos. Mas os deuses do futebol se compadeceram desses cora...

Desejo que Vocês Estejam Aqui


Quando André Tozzini – cabalisticamente – na noite de 6/6 me convida para escrever uma coluna aqui no Futebolzinho e sugere que eu escreva sobre Músicas e Flamengo, imediatamente me lembro da música “Déjà Vu” do último álbum do Roger Waters, que começa com uma reflexão interessante: “Se eu tivesse sido Deus, eu teria reorganizado as veias no rosto para torná-las mais resistentes ao álcool e menos propensas ao envelhecimento”. Obviamente não há algum termo comparativo entre mim, Deus e Roger Waters. Longe disso! Flamengo e Músicas, são minhas duas maiores paixões e que, em determinado momento fizeram, fazem e farão parte de todas as minhas alegrias e porque não dizer tantas outras angústias. E seu eu fosse mesmo Deus por noventa minutos (dose exigente, pois), transformaria esse New Maracanã...

Melhor do que ontem, pior do que amanhã


Mantendo a invencibilidade em clássicos no Mané Garrincha, o Flamengo venceu com relativa tranquilidade o Fluminense e abriu inacreditáveis cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado, cujo nome não se pronuncia. Fora a óbvia felicidade pela manutenção da liderança, o que me deixou bastante satisfeito foi novamente a postura do time em campo, num jogo em que seria normal dizer que é o tipo de partida na qual perdemos pontos preciosos de bobeira. Ok, poderíamos ter aproveitado a postura defensiva do adversário e resolvido a parada ainda no primeiro tempo. Cabe ao Maurício Barbieri não se contaminar pela euforia e dar uma enquadrada de leve na turma; o excesso de firulas num jogo costuma ser punido de forma severa. Nossa sorte é que do outro lado estava um time ruim, mas muito ruim. At...

Olhando para a tela em branco


Bloqueio criativo é o fenômeno que envolve a perda temporária da habilidade de gerar conteúdo, geralmente por falta de inspiração ou criatividade. Tanto é verdade que mesmo essa definição eu fui pegar no Wikipedia. Talvez esse travamento seja resultado do jogo que eu vi hoje. Até a última rodada, contra o Atlético-MG, eu estava convicto de que a condição de líder do Flamengo se sustentava por um dessas inexplicáveis conjunções de fatores que simplesmente o colocam lá, na liderança. O Flamengo era pra mim o Forrest Gump do Brasileiro, aquele sujeito imbecil que, com gestos simples e lampejos de escolhas acertadas, estava sempre em destaque no que quer que fosse. Haja vista o jogo contra o River. Até hoje. O Flamengo, na vitória de 2 x 0 contra o Bahia, se comportou com um líder consciente d...

Dançando com a irmã na festa


Acredito que haja uma divergência de expectativas entre o que o time almeja e a torcida espera. Se havia alguma dúvida disso, ela dissipou-se no empate sem gols de hoje, contra o River no Monumental. Digo isso porque o Flamengo foi a campo hoje para empatar. A liderança do grupo, aparentemente, não estava nos planos do time, que mais uma vez apresentou um futebol estéril e com atuações ruins. Paquetá segue sendo um destaque negativo e Henrique Dourado, o jogador mais “sem nota” que há muito não vejo. Everton Ribeiro, mais perdido em campo do que azeitona em boca de banguela, sente a falta da cadência que o Diego traz à posição (ou, pelo menos, deveria trazer). Por outro lado, destaco as atuações de Cuellar, que traz o peso do DNA rubro negro em suas inconformadas declarações pós jogo, e Rh...

Ufa!


Sem ser brilhante, o Flamengo fez o que era esperado por todos e, após oito anos, está classificado para as oitavas de final da Libertadores. Talvez essa ansiedade, motivada certamente pelo histórico recente de vexames na competição, tenha sido o principal fator responsável para que o objetivo não fosse alcançado com menos sufoco. Perrengue para fazer os gols, perrengue para segurar o resultado contra o um time com o qual seria uma generosidade enorme chamar de ruim, embora o Emelec tivesse jogado com disciplina tática. O momento é de comemorar a vaga, disso não há dúvidas. Mas é preciso ter em mente que, com o futebol apresentado ontem contra um adversário fraco, a frustração terá sido adiada, somente. O Flamengo só venceu do Emelec. Não esqueçamos disso. Ele merece A vitória, além de tud...

Só As Mães São Felizes


Todos os times felizes são parecidos; os infelizes são infelizes cada um a sua maneira. Até quem acompanhou as ultimas 45 temporadas do Flamengo tem dificuldade em apontar um ano tão infeliz como 2017. Esse Flamengo que conseguiu a façanha de chegar à última rodada do campeonato sem ter feito o dever de casa de se classificar para a fase de grupos da Libertadores pode ser acusado de tudo, menos de não distribuir a infelicidade com notável equanimidade. Tem infelicidade em baldes para todos, jogadores, funcionários, cartolas e torcedores. No choque frontal entre as altíssimas expectativas da torcida (adubadas por balancetes benignos, contratações vultosas e a natural megalomania rubro-negra) e a concretude da realidade restaram poucos sobreviventes entre as ferragens. E entre estes alguns r...

1987 – O Universo em Desencanto


Antes de iniciar a leitura de 1987 – A História Definitiva, de Pablo Cardoso, convém ao leitor ser informado de que a obra apenas parece ser um livro sobre futebol. Não se iluda, apesar do título, do jeitão da capa e das origens rubro-negras do autor, não se deve esperar encontrar em suas 307 páginas apenas o relato apaixonado de uma épica vitória do Flamengo. Ao contrário, 1987 é uma profunda, alentada, quiçá obsessiva, investigação sobre uma derrota. Uma derrota tão determinante para os destinos do futebol brasileiro quanto o Maracanazo em 50 ou a tragédia do Sarriá em 82. Uma derrota cujos efeitos, reflexos e desdobramentos são sentidos até hoje. Portanto atenção, ò leitor, 1987 – A História Definitiva não é um livro de futebol. É um livro de História do Brasil, assim mesmo,...

Duro é Ser Flamengo no Uruguai do Norte.


“Ai, que preguiça!” (Mário de Andrade em Macunaíma – 1928) De uma maneira geral sou um sujeito preguiçoso. Entre todos os capitais a preguiça é o meu pecado preferido e o que menos culpas e nóias me provoca quando estou pecando. Essa postura relaxada e destemida em relação à preguiça muito se deve ao fato de pratica-la diariamente com notável regularidade. E também a uma compreensão mais humanista do termo. A definição de preguiça como mera aversão ao trabalho ou a qualquer atividade física ou mental que mobilize esforço é medieval, além de reducionista. Mário Quintana dizia que a preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda. A preguiça” não é uma característica estritamente humana: na natureza, muitas vezes, é uma...

Separando os Meninos das Meninas


Foi um Fla-Flu de arrepiar. Com direito a todos os acessórios que compõem os grandes jogos. Mengão fardando calções brancos, gol das moças no começo, porrada liberada sob a supervisão de juiz argentino safado, imprevisibilidade absoluta e meia dúzia de gols. Quem foi ao Maracanã se deu bem, fez um excelente negócio. E quem ficou em casa e assistiu pela TV também não ficou no preju, apesar da insistência dos comentaristas e locutores que estavam de serviço em torcer contra o Flamengo. O imparcial Juninho Pernambucano, escaldado freguês do Flamengo, citou até um escalafobético conceito de violência positiva. Suspeito que em respeito ao Junior Maestro, com quem dividia a bancada, Juninho poupou os telespectadores de muito constrangimento ao não detalhar no ar essa batatada filosófica. Pas gra...

Calos nos Olhos


  Mas é que se agora pra fazer sucesso Pra vender disco de protesto Todo mundo tem que reclamar Eu vou tirar meu pé da estrada E vou entrar também nessa jogada E vamos ver agora quem é que vai güentar   Ao fim de embaraçosos 95 minutos de desfutebol protagonizados pelas três equipes em campo (nós, a bigoda e a juizada sem vergonha) no crássico dos milhões disputado no sábado à noite só podemos chegar à uma conclusão: O Flamengo x Vasca pelo returno do Brasileiro não passou de um monumental desperdício de nota oficial. Pra que a PM, o Ministério Público, a CBF e o Flamengo se meteram em contenda pública durante semanas, mobilizaram seus staffs e encheram o saco de geral pra marcar o lugar da pelada? Pela bola que jogaram Flamengo e bacalhau, o Aterro, que por toponímia também é nossa c...

Chuva de Pedras


A vitória do Flamengo sobre o apequenado Fluminense pela Sula não foi surpresa pra ninguém. A despeito da rivalidade e do peso histórico que tende a equilibrar o ancestral cotejo independente do momento vivido por cada equipe, uma vitória das meninas de Laranjeiras ontem poderia ser encarada como um violento ataque à lógica. Se é que serve de consolo para uma temporada frustrante, o Flamengo nesse fim de 2017 está visivelmente mal das pernas, mas o Fluminense está mal do corpo todo. Principalmente da cabeça e do bolso. É um time bravo, muitas vezes violento, que dá muita unhada, mas limitadíssimo. Que deve sua sobrevivência nas competições em grande parte ao carisma do seu treinador e à sua tradição, que desta não há quem escape e não falta quem queira ajudar nas altas esferas da putaria n...