Emiliano Tolivia

O caos absoluto que domina as Laranjeiras


Em meio a tanta notícia ruim, cogitei postar hoje um texto bacana, que escrevi para um livro do Fluminense, a fim de deixar o dia mais leve. Acordei, olhei o clube pela janela para me certificar de que ainda não o transformaram num shopping e… Não vai rolar. Não vai ter crônica, filme, historinha bonita, viagem inesquecível. Se for para ter dor no fígado, que seja por cerveja e churrasco – não por essa gestão absolutamente absurda que se apossou do Fluminense. Caso não desopile, é exatamente o que vai me acontecer. E já basta o que Abad, Flusócio & Cia. fazem ao nosso clube do coração. O tricolor sequer pode dormir em paz. Deita com a notícia de que o Cícero, aquela preguiça monumental em forma de rede em Jericoacoara, tem sete milhões de reais para receber do clube, em sua...

Só o Gum não passará jamais


Entra ano, sai ano, desde quando já nem me lembro mais, e a pergunta sempre se repete, no começo de cada temporada: – Quem vai chegar para o lugar do Gum na zaga? Vai Taça Guanabara, vem Taça Rio, Copa do Brasil e, sem nem perceber, lá está Welington Pereira Rodrigues novamente envergando nossa camisa 3. Tenho a clara impressão de que isso já se repete há décadas. Este cara seria o Thiago Silva? Ou o Lima? Talvez o Ricardo Gomes. Edinho? Abelão poderia resolver. Píndaro ou Pinheiro? Todos tentaram ocupar a posição, mas, num piscar de olhos, é Gum neles. Só o Fluminense tem igual vocação para a eternidade, como diria Nelson Rodrigues. Não dá para dizer que 2018 não prometeu. Chegamos a acreditar em Luan Péres. A boa saída de bola de Nathan Ribeiro nos levou a crer que enfim era hora d...

Vai começar a campanha. É hora de confirmar


É hoje, finalmente! Pulamos sete ondas no Réveillon, sobrevivemos a mais um carnaval e engordamos em churrascos sem fim na Copa do Mundo para chegar neste momento crucial de 2018. Chegou o momento de polarizar entre o que queremos e o que não queremos para nosso futuro. Dia 16 de agosto, enfim, vai começar a campanha. Refiro-me, claro, à campanha para o único título relevante viável para o Fluminense nesta temporada, o da Sul-Americana. Depois da suada vitória contra um inacreditável Defensor no Maracanã, é dia de ir lá em Montevidéu, apertar confirma na vaga e trazer doce de leite na mala (sem pilhas de dinheiro) e vinhos Tannat em caixa 1. Após o desastre contra o Inter na última segunda-feira, o momento é de reconstrução. Seja lá como for e der. Não é hora de ficar indeciso em campo, me...

O poder do hábito: deixem as manias do torcedor


Começo esta coluna citando novamente um amigo. Desta vez, um risonho tricolor de quatro costados (anda meio redondinho, mas se procurar, encontra os costados), sempre presente aos jogos no Maracanã. O danado não pode ver um livro de autoajuda dando mole que compra, empresta, divulga, faz campanha, emoldura… Tal qual um flusócio repetindo “e-ticket, e-ticket, e-ticket”, meu querido companheiro de arquibancada, em dado momento, tinha em “Sapiens” a resposta para qualquer questão da humanidade. De topada com o dedinho aos buracos negros do universo. – Sapiens explica – repetia. Pois nosso querido Trator deu agora de ler “O Poder do Hábito”. Espinguela caída, unha encravada, tétano, difteria, sarampo ou coqueluche? Como diria Tim Maia, leia o livro – não o “Universo em Desenc...

Fluminense supera Luganês e Mujiquês do Defensor


Tenho um amigo, filho de uruguaios, que diz: – Montevidéu é o melhor lugar do mundo para não se fazer nada. Eu não sei se vocês já foram à capital do Uruguai. É uma delícia de cidade. O tempo passa mesmo em outro ritmo. As ruas são silenciosas até. São três milhões de Pepes Mujicas, em seu sítio, bebendo mate e cuidando de galinhas. Você almoça, toma um vinho, dorme, acorda e ainda está de dia, com muito a se aproveitar. As pessoas são extremamente simpáticas, educadas e amáveis. Um povo ímpar entre os que eu conheci. Aí vem o futebol. Uma chave vira, e nossos vizinhos viram todos Luganos. O que fez o Defensor no jogo de ontem no Maracanã, da forma como fez, eu nunca havia visto em todos estes anos de janela. De acordo com o scout do Dedé, o Fluminense – este Fluminense! –...

Fluminense, um lutador


– O que você disse ao garoto? (…) Levanta. Levanta. Foi o Fluminense o Rocky Balboa ontem à noite, contra o Palmeiras, no Maracanã. ROCKY Não há esperança, a não ser lutar. Lutemos. Somos todos Marcos Júnior, Matheus Norton, Everaldo, Italian Stallion. Nos resta acordar cedo, comer meia dúzia de ovos crus e correr. Correr. Correr. Correr. Corre o Fluminense. Corre o povo junto, escadaria acima. Seu povo, que voltou a aparecer, como sempre aparece quando se faz necessário. Correm as crianças. As bicicletas. Os cachorros. Socamos carnes de pescoço no raiar do dia. Vamos pelo sonho, seja ele qual for. Da taça ao cinturão. Nós nem conseguimos imaginar o topo. Temos pela frente o sistema, os dirigentes, o Palmeiras e todo seu dinheiro que vem de algum pote no fim do arco-íris. Não h...

A tática é uma só: bola no Pedro!


A questão já não é mais “ah, não pode vender o Pedro”. Não sei que jeito o presidente Abad vai dar, mas Dom Queixote não sairá do Fluminense até o fim do ano. Para termos um fim de temporada tranquilo, a tática é uma só: deem a bola no Pedro. E pronto. Marcos Junior pegou a bola? Dá no Pedro. Os laterais avançaram? Dá no Pedro. Julio Cesar vai bater o tiro de meta? Dá no Pedro. E mais nada. Essa é a tática. Não existe essa venda. Impossível. Mas é mais que isso. Não vender é pouco. Comprem uma cama mais confortável, coloquem escada rolante no prédio dele ou construam uma mansão dentro do CT, encerem diariamente seu queixo, comprem um cobertor mais quente, vacinem contra o sarampo, protejam as quinas da casa, façam o que for preciso, mas este rapaz não pode ter sequer uma unha encravada até...

Rumo a Fluripa: tinha que ser sofrido


Aguardo, com o coração partido, o fim da Copa do Mundo. E, com o coração apertado, a volta do Brasileirão. Sabedor de que será um segundo semestre bem difícil, hoje prefiro contar algo de bom – afinal, em se tratando de Fluminense, sempre há muita coisa boa para se escrever. Nada dessa turma que se apoderou do clube. Queria falar sobre a viagem que fiz com meu irmão Caio para Florianópolis, a fim de ver o Tricolor campeão da Copa do Brasil de 2007. Lá, aliás, encontrei também o Léo Bagno, que a partir daquele começo mágico da Legião virou um grande amigo. Tenho o prazer de dividir este espaço com ambos atualmente.  Segue o causo. Direto do túnel do tempo. *** Há 11 anos, o Fluminense retomava seu caminho e reencontrava seu tamanho ao conquistar pela primeira vez a Copa do Brasil. Est...

Chega de política. A culpa não é do Abad


A situação do Fluminense é terrível, mas já foi muito pior. O presidente Pedro Abad tem se desdobrado para colocar os salários em dia, equacionar dívidas, recolocar o clube em seu patamar de instituição gigante. A culpa, definitivamente, não é dele. A verdade é que, primeiro, Peter Siemsen pegou um clube devastado pelo ex-presidente Roberto Horcades. Além dele, havia o Celso Barros, presidente da Unimed, que, sabemos, sabotava o Tricolor. Peter foi além. Mesmo sem a participação da Flusócio, colocou o Flu em novo estágio, com um CT de primeiro mundo, a melhor divisão de base do Brasil e o sonho de um dia disputar a Liga Europa – quem sabe a Champions – com o Flu Samorin. Com a saída da Unimed, o ex-presidente se perdeu, mas com boas intenções. O real causador do rombo nos cofre...

Fluminense, mas pode chamar de Incubadora FC


Você está lá acompanhando o jogo do Brasil contra a Sérvia, duelo escamado, jogadores saindo machucados, valendo o primeiro lugar do grupo. Entre um gole de cerveja e outro, dá aquela conferida no grupo de Whatsapp. – Marcelo não vai fazer falta! – Tem que colocar o Firmino. – Thiago Silva é o melhor do mundo. – Nathan Ribeiro foi emprestado. – Queria pegar a Alemanha! – O Tite tinha que… OPA!!! Volta, volta, volta. Como assim? Pois é. O Fluminense emprestou o Nathan Ribeiro no meio da balbúrdia de um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Se o timing já é inacreditável, o empréstimo em si é inaceitável. Primeiro, pelo jogador em si. Cercado de desconfiança da torcida e elogios maravilhados do Abel, o Nathan foi contratado, entrou e até que não foi mal. ...

Quem vai topar assumir este Fluminense?


Estava ontem na Praça São Salvador conversando com dois amigos muito bem informados sobre os podres – poderia dizer “as coisas”, mas podres define melhor – das Laranjeiras. Quem será o novo  técnico do Fluminense no lugar de Abel Braga (obrigado, Abelão!) era o tema da resenha. – O Marcelo Teixeira (mas ele não era da base?) e o Fabiano Camargo (VP de futebol, cabe sempre esse cara-crachá-cara-crachá) não querem efetivar o Leo Percovich – disse um deles. Respondi, de bate-pronto, o óbvio: – Então, é evidente que será o Leo Percovich. No Twitter, dia destes, o brilhante Beto Sales (vale muito seguir) postou: parecia claro que a gestão soltaria vários balões de ensaio para, recusados os convites, manter o treinador da base no cargo. Ao olhar para dentro do clube...

Nem sombra de um clube gigante


O ano tem sido fantástico até aqui. Estou maravilhado. Grande comprometimento. O clube está quase falido, há pouco dinheiro, eventualmente salários atrasam, mas a diretoria se vira nos 30. É a melhor gestão em anos. Montou um time sem grandes estrelas, porém aguerrido, com alguns nomes experientes e moleques da base. Mesmo que não dê para sonhar com voos mais altos, dá para fazer frente aos grandes clubes do país em competições de mata-mata. Ainda mais com uma torcida que chega junto. Os sete mil de sempre às vezes já são 10, 12, até 15 mil torcedores. Graças a eles, saímos enfim da Série C e voltamos à B. Uma glória imensa. De quem falo? Calma, não se irrite. Do Platense, time da minha família na Argentina. Um clube pequeno de Buenos Aires. Mas, lendo rapidamente, não seria no que estão t...

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