Nas 4 linhas com Dedé

Nas 4 linhas com Dedé Moreira – Coluna dedicada para avaliação tática e jogos importantes do cenário mundial. Futebolzinho.com

Anular o jogo é legal e justo

Esse post não é para os tricolores. E também não tem nenhuma novidade. Quem conhece futebol, quem estuda o assunto sabe tudo o que aconteceu. Vou tentar resumir. Sei que as pessoas odeiam ler, odeiam textos grandes, mesmo que embasados. É mais fácil ouvir o jornalista X, o comentarista Y e sair por aí propagando verdades absolutas. Vamos começar. 1996 . O Fluminense caiu. Em Maio de 97, o jornal Nacional publica gravações que mostram a venda de resultados para financiar a campanha de Ivens Mendes, então Presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, para Deputado Federal em 1998. O esquema 1-0-0, numa alusão a 100 mil reais pedidos por Mendes à Dualib para beneficiar o Corinthians. Clubes envolvidos: Corinthians cujo presidente era o Dualib e Atlético Pr, do Petraglia. Resultado? Mendes e ...

Erros em imagens

Essa é a foto do gol da vitória da Chapecoense. Reparem que o centro da área, onde o perigo é maior, está bem povoado. Em compensação não há ninguém no primeiro pau. Um solitário Henrique Dourado, que se distrai, não acompanha a movimentação do jogador que está do seus lado. O cara raspa de cabeça e a bola sai lá no segundo pau. W. Silva está marcando o autor do gol, mas assim mesmo deixa o cara antecipar. E isso tem uma explicação: O movimento do time que está no ataque é mais rápido sempre. Ele começa a correr antes, ele escolhe seu movimento antes e quem está defendendo precisa de um tempo de reação. Esse tempo é suficiente pro adversário escapar. Por isso marca-se por zona e não homem a homem. Pois ou seria gol ou corre-se o risco enorme de fazer pênalti. Por isso os braços, os agarrõe...

Na cabeça do Levir

Julio Cesar, Welington Silva, Gum, Henrique e William Matheus. Pierre. Scarpa, Douglas, Cícero e Wellington. Marcos Júnior. Pinta um 4-1-4-1 no Flu contra o Corinthians. Eu detesto falar depois, porque odeio ser engenheiro de obra pronta. Levir mantém a estrutura para o time levar poucos gols, dessa vez com um Pierre na proteção. E vai soltar o Douglas que gosta e sabe chegar na frente. Mantém Wellington pelo lado esquerdo do campo. Jogador que vem bem, mas que precisa transformar sua habilidade em efetividade. gols, passes. Hoje é dia de ser decisivo. E Scarpa, em tese, pelo menos no momento defensivo, fará o lado direito. Porque Scarpa não é um jogador de ficar preso no lado do campo. Arma o jogo pelo lado, vem pra dentro, cruza bola e recebe lançamento. Douglas e Cícero por dentro, com ...

O modelo Atlético de Madrid

Tenho acompanhado(e acho que todos os tricolores devem fazê-lo) com atenção as entrevistas dos candidatos à presidente do Fluminense. Li no site Netflu hoje a entrevista do candidato Pedro Abad. Em uma das respostas, especificamente a da pergunta número 13, li algo que me deixou preocupado sobre o Atlético de Madrid e sobre modelos a serem implantados no futuro no Fluminense. Aspas para Pedro Abad, quando perguntado sobre as cotas de TV que beneficiam Flamengo e Corinthians: “…Fora dos dois primeiros, isso vai  acontecer com outros clubes, como acontece na Espanha: você tem Real Madrid e Barcelona muito destacados e o Atlético de Madrid você vê conseguindo fazer frente em alguns momentos. A segunda frente de atuação é justamente essa. Como o Atlético de Madrid consegue fazer is...

Tem jogo e dá pra ganhar

Como fazer quando se enfrenta um time tecnicamente superior ao seu? De um lado hoje jogam, Rafael Carioca, Fábio Santos, Maicossuel, Fred, Pratto e Robinho. Não, o Fluminense não tem nada parecido. A resposta à pergunta foi dada pelo Santos na primeira rodada do returno contra esse mesmo Atlético lá na Vila. A escalação do Santos que detonou esse mesmo Atlético foi Vladimir, Vitor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Caju. Renato, Léo Citadini e Jean Motta. Vitor Bueno, Ricardo Oliveira e Copete. O Santos, sem Lucas Lima e Gabigol, meteu 3 a 0 nesse time do Atlético. Com muita correria, marcação alta, pressionando muito o time do Atlético que fica desconfortável quando joga contra um time com essas características. Marcelo Oliveira tenta acomodar Fred e Pratto, revezando os dois na funç...

Análise de Desempenho do Flu no brasileiro

O post de hoje é muito curto. O link com duas planilhas, uma coletiva e uma individual, permite as mais variadas conclusões. É, portanto, um convite à reflexão. Acredito ser senso comum que para se consolidar num ambiente extremamente competitivo e para dar efetividade a tomadas de decisão, um clube deve estar apoiado em dados, informações e conhecimentos (números, estatísticas, quadros comparativos, quantificações) os mais objetivos possíveis. Um dos grandes pensadores da administração moderna, Peter Drucker, afirma categoricamente: ” Se você não pode medir, não pode gerenciar”. Segue o link: Análise de Desempenho Flu Evidentemente que números não esgotam uma análise que deve ser sistêmica. E que o futebol está longe de ser algo cartesiano. Mas ai de quem ignorá-los… Tab...

O Guardiola do Jardim Oceânico

  O História do Futebol hoje presta uma homenagem a Nilson Bastos. Seu Nilson (como era chamado), trabalhava como porteiro no Edifício Pena Atlântico, na Aldo Bonadei 47, Barra da Tijuca. Falar somente do seu trabalho formal é reducionista demais. Nilson era tudo para aqueles garotos que viu crescer. Precisando de alguém pra te buscar de madrugada em qualquer lugar do Rio? Chama o Nilson. Bebeu demais e não quer chegar em casa doidão e levar esporro do pai? Dorme na casa do Nilson. Brigou com a namorada, quer conselho? Nilson. Não está a fim de ir à aula? Estaciona o carro na garagem do prédio do Nilson, vai pra casa dele, bate um papo (sobre futebol normalmente) e volta pra casa depois. Mas o assunto é futebol. E Nilson era um monstro. Quem jájogou sua bolinha sabe como funciona o am...

Parte 1: Ajuda em que execrar a seleção brasileira de futebol?

  Esse texto será dividido em 2 partes. A outra estará aqui na próxima semana. Eu amo futebol. Sou carioca, brasileiro e apaixonado pelo meu clube. Nem tanto pela minha seleção, mas torço por ela. Sim, os clubes são mais importantes que as seleções pra quase todo mundo que se identifica com eles. Casillas, do Real Madrid, ao levantar a Champions 2013/2014 disse: “Mais importante que a copa”. Tinha razão. Mas amar meu clube, não me faz desprezar a minha seleção. Torço pelos caras. Fico feliz quando ganhamos. O futebol, para nós, brasileiros, é mais que um esporte. É cultura, é motivo de orgulho nacional. Pentacampeões do mundo. Só a gente. Mas de uns tempos pra cá, resolveram execrar a seleção, torcer contra. Dizem que é por causa da CBF. Hipocrisia. Você sempre torceu pro ...

Vale o regulamento

História sensacional do amigo, escritor e resenhista do Panorama Tricolor, Paulo Tibúrcio, o grande Tiba. O dirigente desse time é um verdadeiro gênio. Fala Tiba: ” Esta história ocorreu há alguns anos, na cidade de Volta Redonda, durante um disputado campeonato de várzea. Daqueles que não mais existem, seja por ausência de espaços públicos para se praticar o bom futebol de 11 ou pelo desinteresse por eventos que envolvam a coletividade. Os times do São Cristóvão, Volta Redonda, Siderlândia, Ponte Preta, Sete de Setembro, entre outros, participavam do torneio. Cada escrete tinha um responsável. Cidadãos amantes do futebol que dedicavam parte do seu tempo para ocupar os jovens com alguma prática esportiva. Com parcos recursos, eram um combinado de cartola, manager, preparador físico e...

Reflexões sobre quarta à noite

Foi impossível ver só o Fluminense. Como amante desse jogo, foi inviável ignorar a final da libertadores. Controle na mão, zapeando pra lá e pra cá. E dei sorte. Enquanto no primeiro tempo o Atlético Nacional massacrava o Independiente Del Valle, o Fluminense trocava passes inúteis entre zagueiros, laterais e volantes sem conseguir ultrapassar as linhas defensivas do Ypyranga. No segundo tempo, o Nacional continuou muito bem e perigoso nos contra-ataques, mas sem aquele ímpeto inicial (já era a fase do controle do resultado) e o Fluminense começou a oferecer perigo ao seu adversário, tornando o jogo muito mais interessante. O Fluminense começou o jogo com o Cícero adiantado, perto da área, lugar onde acho que deve jogar, Cícero é bom na bola alta, se coloca bem na área (fez 2 dos últimos 3...

Bom pela festa, pela atmosfera, pelo resultado. A atuação…

O Fluminense ficou 56% do tempo com a bola, finalizou 13 vezes no gol do adversário, trocou 328 passes, cruzou 29 bolas na área dos caras e teve 8 chances reais de gol, contra apenas 3 do adversário. No jogo seguinte o Fluminense teve 41% de posse, finalizou 12 vezes, trocou 203 passes, cruzou 19 bolas na área dos caras e teve 6 chances reais de gol, contra 5 do adversário. O primeiro jogo citado foi o 0 a 0 contra o Coritiba, em Volta Redonda. O segundo o jogo de ontem contra o Cruzeiro, em Edson Passos. Obviamente que os números são afetados pelo gol que saiu logo no início no jogo de ontem e pelo 0 a 0 que permaneceu até o fim no jogo contra o Coritiba. Toda a atmosfera criada fez parecer que o Fluminense correu mais ontem ou que jogou melhor que em outros jogos. Não aconteceu. A difere...

Garotos da fuzarca no torneio dos campeões

A história de hoje é do amigo Paulo Roberto Andel. Aliás, chamá-lo apenas de amigo é de um reducionismo imperdoável. Andel é uma referência. Possui diversos livros sobre futebol publicados e é editor dos blogs Panorama Tricolor (leitura obrigatória para todos os torcedores do Fluminense), Panorama Vascaíno, Otraspalabras! e Encefálica. Presença ilustre aqui no futebolzinho.com. Vamos à história, linda, que nos remete a um tempo e a um estádio que, infelizmente, não voltam mais. Era uma vez um Maracanã lindo e gigantesco, um futebol carioca de arrepiar e um Rio de Janeiro menos cruel, ainda que fosse ambientado no fim dos anos 1970 e começo dos 1990, na raspa do tacho da ditadura militar. Para se ver os jogos, ou você ai ao estádio ou esperava os Gols do Fantástico, mais a reprise da TVE (h...