A justificativa utilizada pelo presidente Alexandre Campello para abandonar a coalizão de chapas que venceu o último pleito vascaíno foi de que uma das chapas (a Sempre Vasco, do candidato Julio Brant) abandonou o diálogo com as chapas parceiras e passou a arquitetar medidas sem uma discussão prévia com seu grupo político.

A história depois disso, todos já sabem. Campello pulou fora da coalizão, se lançou candidato à presidência e venceu Brant, o indicado pelo grupo vencedor do pleito. Para isso, o atual presidente contou com o apoio de chapas perdedoras, incluindo aí a do Eurico Miranda (a quem Campello atacou durante toda campanha).





Meses depois, o que vemos? O grupo que colocou Campello no poder se esfacelar com uma demissão em massa de vice-presidentes. E, a maior ironia nisso tudo, os insatisfeitos com o mandatário vascaíno – o grupo Identidade Vasco – o acusa de tomar decisões sem debatê-las. Justamente a desculpa dada por Campello para trair o grupo Sempre Vasco. Não é só isso, Campello também foi alvo de acusações graves do ex-VP de patrimônio. E o presidente do Conselho Deliberativo (e líder do Identidade Vasco), Roberto Monteiro, afirmou que as acusações estão apenas começando.

Campello nega que esteja isolado no cargo. Segundo o presidente, a transparência com que tem atuado no cargo incomodou setores políticos do clube. E, ainda segundo Campello, essa seria a razão da debandada dos VPs.

Qual lado está correto nessa história? Os próximos capítulos do “House of Cards” cruzmaltino vão dizer. Mas Alexandre Campello, pela forma como chegou ao poder e apoiado por quem foi, naturalmente carrega uma imagem não muito confiável para muita gente. E sim, a divulgação de um balanço não favorável aos seus parceiros signifique uma positiva guinada em direção à transparência. Mas com não pensar nesse ato como uma segunda traição? Mesmo que agora Campello esteja indo para o “lado certo”, esse tipo de comportamento não é ideal para um presidente do Vasco.

No mais, em cerca de cinco meses, Campello acabou desagradando gregos e troianos. No afã de chegar ao poder, se juntou com pessoas que criticou por muito tempo. Depois, aparentemente querendo fazer o certo, virou desafeto do mesmo grupo que o levou ao poder. Mas nesse caso, desagrada quem tem muito poder no clube e pode não apenas tirar-lhe do poder, mas o que é ainda pior, inviabilizar sua gestão. E isso seria danoso não ao Campello, mas ao Vasco.

Até hoje Campello nega ter tido apoio do Dotô na votação do Conselho Deliberativo. O mesmo Dotô que, segundo dizem, o chama de “meu menino”. E até faz sentido. Achar que sua vitória não lhe traria custos e cobranças de quem lhe levou ao poder é mostrar uma inocência que só um garoto poderia ter.

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Com um pai flamenguista e uma mãe botafoguense, Julio Cesar "JC" Barbosa é a prova viva que ser vascaíno é predestinação, não imposição. Torcedor de estádio, tanto na Colina quanto no antigo Maraca (hoje Arena), escreve sobre o Gigante na internet desde 2007.