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Blog da Fuzarca / Vasco

A ‘exaltação’ que diminui a história do Vasco

A ‘exaltação’ que diminui a história do Vasco

Mesmo com a vitória do Vasco sobre a La U e a conquista de uma vaguinha na Copa Sul-Americana, meu perfil no Twitter (o @jc_CRVG, onde costumo comentar as partidas do time em tempo real) protagonizou uma polêmica: fui falar mal do Gustavo Villani, locutor da SporTV que transmitiu a partida, e uma chuva de protestos caiu sobre a minha cabeça.

Foi uma surpresa pra mim. Não apenas porque não imaginava que o locutor tivesse um fã clube tão grande. Mas principalmente pelo motivo: eu fui defender o Vasco e os próprios vascaínos discordaram veementemente de mim.





Explico melhor…não entrei no mérito das qualidades do Villani como narrador. Ele realmente transmite emoção e fala bem menos besteiras que média dos locutores que vemos por aí. A questão é que, mesmo relembrando a cada momento a importância histórica do Vasco no futebol do Brasil e da América, Villani fez questão de ignorar o título Sul-Americano de 1948, uma das duas maiores conquistas da história do Clube. E isso mesmo com a partida sendo realizada no Estádio Nacional do Chile, palco do título e no ano em que a conquista completa 70 anos.

Para mim, um erro inadmissível. Já para a maioria esmagadora dos que acompanhavam meus tweets, uma crítica absurda. Todos pontuaram que Villani é um dos poucos locutores que respeitaram o Vasco. E, obviamente, citaram a quantidade de vezes em que o narrador lembrou dos títulos e a inigualável história do Vasco ao longo da transmissão.

Talvez eu seja exigente demais com relação ao que falam sobre o meu clube do coração. Mas não considero ser uma “exaltação” ignorar que o Vasco é bicampeão continental e não apenas campeão.

Mas a questão vai um pouco além disso e o fã clube vascaíno do Villani parece não ter percebido. Me parece impossível que um profissional que trabalha há tanto tempo com futebol ignore o Torneio Sul-Americano de 1948. Ou que não saiba que a Conmebol reconheceu a conquista. Ou que ele desconheça o fato de que esse foi o primeiro título internacional de um clube brasileiro.

Se Villani sabe disso tudo – e, repito, me parece impossível não saber – e ainda assim não mencionou o título em momento algum, não pode ter sido esquecimento. Foi algo feito propositalmente.

E é aí que a porca torce o rabo. Ao reiteradamente falar que o Vasco é “campeão da América” e não “bicampeão”, ignorando tão clara e premeditadamente o título de 48, Villani está criando uma narrativa. Se a mídia fala da Libertadores de 98 e ignora o Sul-Americano de 48, tira-se o peso do segundo. Torna-o irrelevante. É como se, oficialmente, o título não valesse nada, já que não merece menção. E estamos falando, repito, de um título reconhecido pela Conmebol.

O apoio incondicional à “exaltação ao Vasco” feita pelo locutor apenas confirma o aval da própria torcida em ignorar o título de 48. Nada contra quem pensa assim, mas pra mim, a falha é gravíssima. Se o próprio vascaíno se cala – ou pior, bate palma – diante dessas atitudes, estamos nós mesmos diminuindo a história do clube. Parece bobagem, mas não é. O significado é tremendo.

Querem um exemplo que mostra como são criadas as narrativas na mídia esportiva brasileira? Não há UM VEÍCULO da imprensa que não trate o Flamengo como hexacampeão brasileiro. Mesmo que o time da Gávea tenha perdido a questão sobre o Brasileiro de 1987 em todas as instâncias. Mas falando sempre em hexa, perpetua-se o mito e ignora-se a realidade. Quem for à CBF verá o Sport como campeão da Copa União. Mas nesse caso, o que foi decidido na justiça tem menor importância que o discurso unido da imprensa.

Agora, imaginem vocês a seguinte situação: uma partida do Flamengo contra um time estrangeiro. O locutor fala a cada instante sobre a grandeza do rubro-negro, sobre o tamanho da sua torcida, sobre a mística do “manto sagrado”. E completa falando que o Flamengo é pentacampeão brasileiro. Vocês acham que os flamenguistas defenderiam a “exaltação” que o locutor fez ao urubu ou ficariam extremamente revoltados com o esquecimento?

Isso evidencia a carência da torcida com relação à mídia. Apareceu na TV elogiando o clube, e pronto, virou herói. Essa pode ser a explicação do porquê fui criticado por reclamar de um esquecimento – pra mim, imperdoável – a respeito da história vascaína. Uma atitude que, em outros clubes, seria motivo para revolta, não de defesa.

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JC Barbosa avatar
Com um pai flamenguista e uma mãe botafoguense, Julio Cesar "JC" Barbosa é a prova viva que ser vascaíno é predestinação, não imposição. Torcedor de estádio, tanto na Colina quanto no antigo Maraca (hoje Arena), escreve sobre o Gigante na internet desde 2007.

2 Comments

  1. Abigail Cavazos avatar

    Como Flamenguista, não tiro nenhuma vírgula do seu post. Fechada com seu protesto!

    • JC Barbosa avatar

      Valeu Abigail! O Vasco já não pode contar com seus dirigentes para defender o clube, não vai contar também com sua torcida?

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