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O que pode significar a proposta de novas eleições no Flu

O que pode significar a proposta de novas eleições no Flu

Após o mais do que esperado esvaziamento do processo de impeachment, uma vez que conta ainda com todo o apoio do seu grupo político, a Flusócio, e dos Esportes Olímpicos, Pedro Abad, em conjunto com todos os seus apoiadores, acena com eventual mudança estatutária para realização de eleições no início de 2019, antecipando o fim do mandato e prometendo um afastamento do poder.

Conversando com pessoas do clube, tentamos fazer um pequeno exercício sobre o que significa isso e quais seriam realmente os objetivos. Tento passar para vocês o que concluímos hipoteticamente.

Uma coisa que fica claro ao lermos a última nota postada pela “Flusócio” em seu blog no dia 21 de dezembro último, sob o título “Fluminense 2019”, é que não há definitivamente uma confissão de que são os responsáveis pela situação abaixo da crítica em que o clube se encontra, muito pior, diga-se de passagem, do que a suposta “herança maldita” que teriam recebido de Horcades no fim de seu mandato.

Batendo eternamente na tecla de que são os responsáveis pela abertura do clube para os torcedores, que passaram a ter a possibilidade de participar do processo eleitoral, votando, mas não podendo ser votado, esclareça-se, através da nova categoria Sócio Torcedor, o que é uma verdade incontestável, seguem com o discurso de que a saída da UNIMED deixou o Fluminense numa situação que obrigou o clube a ter que priorizar “segurança financeira” para poder, em seguida, “recolocar o clube nos trilhos do sucesso esportivo”.

Quanto a isso, esquecem de esclarecer que a saída da UNIMED era há anos defendida e brigada por eles, sob o pretexto de uma suposta autonomia de decisão e de poder no clube. Não descansaram enquanto não tirararam Celso Barros do caminho de poder. No final, conseguido o objetivo, a busca de “segurança financeira” já perseguida há pelo menos seis anos, jamais foi alcançada o que, diga-se de passagem, não é surpresa pra qualquer pessoa que saiba fazer o mais simples estudo de viabillidade, levando-se em consideração as escolhas estratégicas feitas.

Pois então, vacas atoladas no brejo, total incapacidade de seguir administrando o clube e rejeição próxima da unanimidade na torcida, a culpa, é claro, é repassada para as oposições e parceiros dissidentes que boicotaram todo o trabalho e promoveram “desunião” … assim sendo, tentam capitanear um processo que “resgate essa união” através de uma atitude supostamente “altaneira” de sair do caminho e entregar o poder.

Para tal, bastaria Abad renunciar … por que não o faz? É simples. Porque a renúncia implicaria admitir todos os erros. Além disso, entregaria o clube na mão de Fernando Leite, atualmente opositor que, na semana passada e de forma bizarra, foi processado por Abad. A “Flusócio” entende que isso  desgastaria definitivamente o grupo político para o futuro.

A saída encontrada geraria um aspecto institucional benéfico, com demonstração de força política. A tentativa de mudança estatutária, com antecipação das eleições, que é o que todo mundo quer! E, obviamente, o grupo que está no poder sabe disso. Mas neste último ato, seus membros não querem abrir mão de ter a liderança do processo, que com a renúncia seria perdida.

E daí, seguirão dois cenários possíveis:

1 – A mudança é aceita e um novo processo eleitoral se segue. Assim sendo, a “Flusócio” ganha o rótulo de grupo baluarte da democracia, entregando mais uma vez a decisão para a torcida que se engajou ao clube. Atitude que pode ser tida como de grande desprendimento de poder e de amor ao Fluminense. Como eles de fato não acreditam que haja no clube alguém que consiga reverter esta situação, tentarão voltar ao poder na primeira oportunidade. Sem sequelas definitivas.

2 – A mudança não é aceita e a situação segue até o fim do mandato, agora com a bandeira de que quis entregar o poder e a decisão não foi aceita. Provavelmente, utilizando-se também do argumento da incapacidade de outros grupos de buscar o entendimento. Entendimento esse que o grupo defenderá, em busca da legitimidade para seguir no poder até o fim de 2019. Nesta hipótese, meus caros, não se iludam, tudo seguirá exatamente como está e não haverá mais espaço para maiores questionamentos.

É hora de coragem para quem vive a política do clube e tem idéias para movê-lo. Não haverá renúncia, e isso está claro. Mas isso não invalida a oportunidade para mudanças no quadro atual.

Quem se capacita?

Desejo a todos os amigos do Futebolzinho.com e leitores em geral uma maravilhosa noite de Natal – unidos e em paz com os seus.

Grande abraço.

 

Créditos da foto: NETFLU

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Antônio Ramos avatar
Ex-jogador, auxiliar técnico e instrutor de futebol, escrevendo sobre o tema há mais de 20 anos. Torcedor do Fluminense Football Club.
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