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Fazendo a "de fora"

VAR feito para errar (rimou!!!)

VAR feito para errar (rimou!!!)

Ontem tivemos mais um episódio da saga do “como algo feito para minimizar erros, pode potencializá-los”.

– Ahh, Antônio, você só tá reclamando agora porque aconteceu contra o seu time …

Não é verdade! Quem me dá o prazer de ler o que escrevo, sabe muito bem que estou criticando o VAR desde que fiquei sabendo a forma como ele seria implementado.

E aí cabe um esclarecimento: não sou contra o VAR, muito pelo contrário, sou muito a favor, adoro ver os erros de arbitragem serem dirimidos e a justiça sendo feita em todas as modalidades esportivas em que foi implementado. Acho que justiça no esporte (e na vida em geral) é fundamental e acho mesmo que o VAR é o caminho.

Comemorei efusivamente que a pressionada FIFA, com todos os escândalos que ela vem protagonizando sob a falsa premissa do “fair play”, tenha sido praticamente obrigada a implementar isso.

Mas ignoraram, ou melhor, não quiseram fazer, o que nitidamente estava dando certo em outras modalidades.

E o princípio nelas é muito simples: quem se sente prejudicado é que aciona. De forma limitada, sim, mas enquanto se mostra com razão, pode fazê-lo indefinidamente e a resolução acontece alí, na cara de todo mundo, sem anonimatos, sem suspense, sem papinhos ou acordos de circuito interno e, principalmente, sem pantomimas ridículas.

E o que fizeram, dolosamente diga-se de passagem, no futebol? Botaram uns caras coleguinhas corporativos do cara que vai fazer merda vendo televisão num buraco pra lá de protegido, como deuses anônimos, que ninguém sabe quem são, o que dizem, o que pensam e até o que tramam. E o coleguinha no campo, sob esta “proteção divina”, ficou ainda menos responsável por acertar, seja por incompetência ou por má intenção. Agora pode errar à vontade. Se colar, colou e a culpa passa a ser de alguém mais que não pediu revisão …

ALGUÉM QUEM? Dos deuses da arbitragem que estão dentro de uma toca? E os caras nem mantém responsabilidade alguma quando pedem revisão, pois a devolvem descaradamente para o cara que acabou de, supostamente, cometer um erro! Chegaria a ser cômico, se não fosse trágico. Os caras que teriam a responsabilidade de corrigir, não corrigem, só sugerem pra quem está errando …

Isto não tem como dar certo NUNCA! E ninguém me venha dizer que quem bolou isso não estava cansado de saber que não tinha. E quando se sabe isso, tem cheiro de sacanagem.

E as pessoas ficam preocupadas com pontos que são secundários:

– Ahh … agora não sei mais se foi gol se a bola entrou …. Ahh perdeu a graça não saber se xingo o juíz de filho da puta logo ou espero mais um pouquinho …

O problema maior não é esse, meus queridos! O problema maior é que esta merda não vai trazer justiça pro jogo desta forma. Se você não queria mesmo isso, beleza. Quer gritar gol mesmo sendo irregular e foda-se? Quer continuar achando, como alguns antigos da FIFA (alguns estão na cadeia), que a graça do futebol é o papo de bar sobre os erros de arbitragem?

Cada um com seu cada um. Estão no caminho certo, porque dando força a estes pontos secundários, estão somente entrando no jogo que eles queriam e, já já, este negócio, que foi feito mesmo para dar errado, vai desaparecer e a experiência servirá como uma falsa “prova” de que o futebol não precisava de arbitragem utilizando tecnologia, o que é uma mentira absoluta, mas satisfará o interesse de muitos …

Só me poupem depois de reclamações quando os seus times forem prejudicados, dolosamente ou não, porque vou mandá-los pra “Tonga da Mironga do Kabuletê”, mais conhecido como puta que os pariu, e em ré menor.

O que tem que ser exigido imediatamente é a mudança do modelo para o que comprovadamente dá certo, em vez de ficar alimentando esta motivação induzida pra que ele acabe.

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Antônio Ramos avatar
Ex-jogador, auxiliar técnico e instrutor de futebol, escrevendo sobre o tema há mais de 20 anos. Torcedor do Fluminense Football Club.
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