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Copa América

Fala de Thiago Silva após empate evidencia conformismo na seleção de Tite

Fala de Thiago Silva após empate evidencia conformismo na seleção de Tite

Vencer para convencer. O lema intrínseco do treinador Tite não foi realizado diante da Venezuela, em um amargo empate por 0 a 0 dentro de solo brasileiro. As vaias, críticas, gritos de “olé” para a seleção rival e nem mesmo a falta de finalizações certas no gol adversário foram motivos suficientes para a seleção brasileira realizar autocrítica.

Ao fim da partida, o ex-capitão e titular da zaga Thiago Silva, de 34 anos, com três Copas do Mundo disputadas, opinou de forma positiva acerca da atuação da equipe em campo e desaprovou as vaias do torcedor.

“A meu modo de ver, não (vaias não foram merecidas). Principalmente porque a Venezuela pouco criou, isso em função do bom trabalho defensivamente, com uma estrutura boa da nossa equipe. Toda segunda bola era nossa. Dificilmente dava pra acelerar, porque eles estavam muito fechados. Às vezes, a gente se precipitava em tentar fazer o último passe rápido e acabava errando. A gente ia perdendo um pouco de confiança. Mas acredito que num todo a equipe se comportou bem. Mas, quando não se faz de gol, parece que está tudo errado”, disse o zagueiro titular da seleção.

A filosofia apresentada por Thiago vai de acordo com o pensamento do treinador Tite, que elogiou a vitória sobre a Bolívia por 3 a 0 – com vaias intensas da torcida no intervalo – e assegurou uma evolução da equipe, fato que não se tornou real contra a Venezuela.

O pensamento de Thiago Silva, entretanto, não foi refletido nas estatísticas. A seleção brasileira pouco criou e, apesar dos dois gols anulados pelo VAR, só conseguiu finalizar uma vez no gol venezuelano, possuindo 16 finalizações erradas. Por sua vez, a Venezuela, mesmo com 32,3% de posse de bola, conseguiu finalizar duas vezes ao gol, das quatro tentativas gerais.

A postura da equipe ao trocar passes na linha defensiva e não buscar infiltrações na defesa venezuelana foi demonstrada nas estatísticas. Entre os defensores Alisson, Daniel Alves, Marquinhos, Thiago Silva e Filipe Lúis, 327 passes foram dados. Cerca de 48% do total de passes distribuídos pela equipe durante a partida. Se somar ao volante Arthur, também defensivo, mas articulador do meio-campo, a porcentagem aumenta para 63,5%.

A concentração de passes no setor evidencia extremas dificuldades de criação ofensiva da seleção, por consequência, o resultado de 0 a 0 contra a Venezuela, equipe que jamais disputou uma Copa do Mundo.

Os números dão razão ao torcedor que vaia e critica a postura da seleção adotada pelo comandante Tite. Com Coutinho jogando centralizado de meia em um esquema 4-2-3-1, a efetividade não foi alta. O armador deu apenas 45 passes na partida, concedendo duas assistências para finalização e nenhum chute.

Segundo o calejado zagueiro Thiago Silva, as vaias não podem interferir no trabalho da seleção e afirmou que a equipe está “em um caminho certo”.

“Tem que refletir muito dentro de campo. Hoje, infelizmente, a gente não conseguiu essa vitória que era esperada. Mas, eu creio que a gente tenha que deixar isso de lado. Não deixar que isso venha interferir. Tem a pressão de estar jogando dentro do Brasil, na nossa casa, com apoio da nossa torcida. Torcedor é assim, quer ver gol, quer ver vitória, mas creio que a gente está num caminho certo. Espero que a gente possa focar mais nessas partidas e conseguir trazer o resultado”, relatou Thiago Silva.

FOTO: Lucas Figueiredo/CBF.

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Matheus Reis avatar
Cobertura do Vasco da Gama no Futebolzinho.com. Estudante de Jornalismo da UniCarioca e Ciências Sociais pela Uerj.
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