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Copa América

O espírito corinthiano na seleção brasileira de Tite

O espírito corinthiano na seleção brasileira de Tite

Do inteligente ao menos capacitado, do mais técnico ao medíocre, do inovador ao conservador. Dentro do futebol, o importante é vencer, seja quais forem suas qualidades ou limitações. Para um técnico, fazer a equipe jogar um futebol radiante é o apogeu. Entretanto, as competições mata-mata nos revelam peculiaridades. De nada adianta um futebol nobre, se não possuir a capacidade de vencer adversários dentro das regras propostas pelo jogo. O sentimento que deixou Tite multicampeão no Corinthians está nascendo na seleção brasileira, e o maior argumento é o excesso de emoção nas partidas, em comum acordo com um futebol pouco brilhante – mas que gerou sucesso ao técnico no time paulista -.

O empate diante do Paraguai, nas quartas da Copa América em solo brasileiro, evidenciou o espírito corinthiano tomando conta da seleção brasileira. A emoção já era protagonista antes mesmo do tempo complementar aparecer. Rostos angustiados, pressão total, mudanças na formação, atacantes alternando flancos e erros novatos. De tanto convocar jogadores e ex-jogadores do Corinthians, a seleção brasileira entrou na máxima da fiel: “Se não for sofrido, não é Corinthians”.

Para elucidar o pensamento, Tite precisou fracassar – de forma intensa – para conquistar seus títulos. Perder para o Tolima, na pré-Libertadores, deu contexto ao sofrimento que viria ser para conquistar três títulos de expressão significativa, como a Copa Libertadores (2012), Campeonato Brasileiro (2011) e o Mundial de Clubes (2012), todos esses com intensas emoções e dando significado à máxima da torcida. O fracasso de Tite também aconteceu pela seleção, mas na Copa do Mundo: derrotado para a Bélgica de forma cruel, com emoção, nas quartas de final. Na Copa América, o técnico tem a possibilidade de reverter a situação e se manter no cargo com um título da competição, talvez a única forma de Tite continuar a frente da seleção brasileira.

Independente da qualidade das equipes treinadas por Tite, nunca faltou emoção e sofrimento. Essa marca, porém, atravessou barreiras estaduais e tomou conta de uma nação de brasileiros, entretidos por uma seleção pouco criativa, sem padrão de jogo, desorganizada coletivamente, repleta de polêmicas extra-campo com seu principal jogador e comissão técnica. A falta de capacidade técnica de Tite para comandar a seleção brasileira neste momento pode trazer de volta o espírito nacionalista de um povo amargurado pela humilhação sofrida em território nacional por piedosos alemães em 2014, no Mineirão.

Ou até mesmo sofrer, para a Argentina, no mesmo Mineirão, mais um choque de realidade e quebra de expectativa, também em uma semifinal.

Com Tite no cargo, o torcedor brasileiro possui a certeza de emoções para as próximas partidas na Copa América, e um espírito corinthiano aflorado, porque as atuações sólidas, seguras, regulares e tranquilas parecem estar longe de serem atingidas para acalantar o coração atormentado e frustrado do torcedor.

O espírito corinthiano carregou Tite ao sucesso na América recheado de emoção – visto o gol de Paulinho contra o Vasco, em 2012, após o simbólico gol perdido por Diego Souza. Para concluir tal feito pelo Brasil, faltam duas partidas.

FOTO: Lucas Figueiredo/CBF.

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Matheus Reis avatar
Cobertura do Vasco da Gama no Futebolzinho.com. Estudante de Jornalismo da UniCarioca e Ciências Sociais pela Uerj.

1 Comment

  1. Antônio Ramos avatar

    O Brasil esqueceu q tem uma escola de fazer jogadores e de jogar futebol. A de
    Melhor resultado em todos os tempos. Exporta jogadores pra eles se adaptarem à uma outra escola e depois os treinadores tentam fazer dessa a nossa. Isso tem q mudar ….

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