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Flamengo

Diego fala primeiro após a tragédia e diz que os jogadores não têm respostas para tudo

Diego fala primeiro após a tragédia e diz que os jogadores não têm respostas para tudo

Os jogadores do elenco profissional do Flamengo demoraram a falar com a imprensa após a tragédia que vitimou dez adolescentes da base do clube, todos entre 14 a 16 anos, que dormiam no alojamento incendiado na madrugada da última sexta-feira (8). E o meia Diego, capitão da equipe, foi o responsável por encarar as perguntas dos jornalistas na coletiva desta terça-feira (12), deixando transparecer o estado de espírito dos jogadores para o Fla-Flu da noite desta quinta-feira (14), no Maracanã, pela semifinal da Taça Guanabara.

“Temos procurado enfrentar a situação da melhor forma possível. Não temos resposta para tudo, fato é que de alguma forma temos que seguir para honrar e dignificar tudo o que esses garotos viveram, os que se foram e os que tiveram oportunidade de continuar aqui…”

Emocionado, o camisa 10 lamentou o ocorrido e lembrou que o sobrinho, do sub-14, poderia estar entre as vítimas.

“Venho em respeito a todos vocês e a todos envolvidos nessa situação. Serei o mais honesto e transparente possível, como sempre fui. Nosso relacionamento com esses garotos sempre foi excelente, acompanhamos tudo, fazem parte do dia-a-dia. Lembro da maioria deles que já pediu para tirar foto comigo. Tenho sobrinho que joga no sub-14 do Flamengo, então tinha amigos no alojamento. Podia estar ali também. Enfim, temos uma ligação e um respeito muito grande”.

Diego relatou o encontro com Francisco Dyogo e Cauan, jogadores do sub 15 que estavam internados no Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

“O Cauan está se recuperando bem, um pouco triste. Peguei o telefone dele, mandei foto para ele, ele mandou foto comemorando gol e falando que conhece a comemoração, que se inspirou em mim… (choro). Desculpa. Então… temos de seguir, seremos inspirações, assim como o Cauan se inspira em mim. Outros jovens vão se inspirar em outros jogadores. Para ser inspiração a gente tem que estar de pé”, disse.

Diego Coletiva Flamengo — Foto: André Durão/GloboEsporte.com

Diego não consegue conter as lágrimas ao lembrar da visita à Cauan no hospital

O Flamengo enfrenta o Fluminense nesta quinta-feira (14) às 20:30 (de Brasília), no Maracanã pela semifinal da Taça Guanabara, e com a vantagem do empate por ter sido o primeiro do seu grupo.

Confira outros trechos da coletiva de Diego:

A estrutura do Ninho do Urubu para os atletas

“É nítido e claro para todos que clube busca evoluir constantemente, diariamente, tem demonstrado isso, não só para profissionais mas para toda base. Acompanhei essa evolução, cheguei 2016 estrutura era toda de contêiner, utilizei essa estrutura e acompanhei a evolução do clube. Sobre questão técnica e burocrática, não estou aqui para falar sobre isso. Mas existe a preocupação que acompanhei de evoluir da diretoria passada e atual. Se evoluiu ou não, não cabe a mim dizer. É uma tragédia, a maior do clube, quem está aqui vai levar para sempre, está vivendo intensamente. Momento de muita tristeza e reflexão.”

Ambiente entre os jogadores

“Temos procurado enfrentar a situação da melhor forma possível. Não temos resposta para tudo, fato é que de alguma forma temos que seguir para honrar e dignificar tudo o que esses garotos viveram, os que se foram e os que tiveram oportunidade de continuar aqui. Foram abençoados e estão salvos, temos que seguir em frente para manter esse sonho vivo dentro desses garotos. Fazer o que eles fizeram, competir, vestir essa camisa, viver o sonho de jogar no Maracanã. Estou com 34 anos e estou vivendo o sonho que esses meninos com 15 anos queriam viver. Novos jovens virão.”

A notícia do incêndio

“Estava entrando no meu carro, e um funcionário de casa me avisou, aí fui me informar. Meu sobrinho faz parte do sub-14, treina na parte da manhã, primeira coisa que pensei foi sobre isso. Depois que soube que o treino tinha sido cancelado. Foi muito duro porque nós vivemos isso, nós somos os garotos da base. Morei em alojamento, tenho amigos que moravam em alojamento e frequentam minha casa. Esses garotos carregam a alma do brasileiro. Isso está em nós, todos sentimos essa situação. Quando aconteceu ficamos desnorteados, esse encontro que tivemos um dia após foi para nos reunir, orar, entender para nós como um grupo, direcionarmos o caminho que vamos seguir e de que forma enfrentar isso da melhor forma possível. Abel foi muito feliz no discurso, todos nós sabemos o que passou, dá a ele certa propriedade para falar nesse momento. Em respeito ao acontecido, não fomos a campo naquela manhã para começar a absorver essa situação e, como um grupo, tomar as melhores decisões.”

Apoio às vítimas

“Foi uma decisão nossa, do grupo. Aproveito para dizer que estamos aqui para o que precisarem. Não só os garotos que fomos visitar ontem, mas todos aqueles que não tiveram essa chance, todos os familiares, todos os jogadores, comissão técnica… Estamos aqui para ajudar. Com a presença, palavra, abraço… O que for preciso. Tenho sentido da diretoria do clube, somos um só nessa situação. Todos podem contar de coração com a gente. Familiares, o que precisarem, eu e os funcionários e todos do clube estamos à disposição. Gostaríamos de estar fazendo mais, mas existe um processo, temos que respeitar tudo. Mas estamos colocando à disposição para ajudar a todos que precisam.”

Fla-Flu decisivo

“A emoção é clara, vai vir, vamos carregar essa situação junto com a gente. As pessoas não podem confundir quando estivermos em treino ou jogo, sorrindo em alguns momentos, que vamos deixar de lembrar dessa situação. Vai fazer parte, vamos carregar isso conosco. Mas temos que encontrar forças para que isso possa de alguma forma servir de inspiração para nós. É nosso trabalho competir, quinta tem jogo muito importante e temos que estar prontos para vencer. E até por esses garotos, que de alguma forma sirva de inspiração para a gente seguir em frente. Está sendo difícil para nós e todos os brasileiros, mas quando chegar a hora de entrar em campo, é fazer o que eles faziam, que é honrar a camisa.”

Fotos: André Durão

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