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Flamengo

Encerramento das negociações com famílias enlutadas gera revolta

Encerramento das negociações com famílias enlutadas gera revolta

Terminou sem acordo o encontro entre Flamengo e as famílias das 10 vítimas fatais do incêndio do Ninho do Urubu, no encontro na tarde desta quinta-feira (20), na sede do Tribunal de Justiça. As negociações estão encerradas. Os familiares e seus representantes legais deixaram a reunião revoltados com o clube.

“Atitude do Flamengo é uma falta de respeito com a gente, os pais. Foi passado que estão dando apoio, nenhum…Eles estão brincando com a vida dos nossos filhos, queria saber se não são pais, pelo que estão fazendo com a gente, a tortura que o Flamengo está fazendo conosco. Não definiu nada, estamos aqui como bobos, palhaços. Fomos desamparados por todos, não nos sentimos acolhidos por ninguém, principalmente pelo Flamengo. Eles não têm resposta para nós, familiares. Não foi falado nada” – lamentou Cristiano, pai do goleiro Christian, uma das dez vítimas fatais no incêndio no Ninho do Urubu.

O pai do goleiro Bernardo Pisetta, outra vítima fatal da tragédia -, disse que o Flamengo apresentou valores pífios, questionou a ausência do presidente Rodolfo Landim e afirmou que as negociações estão encerradas.

“Não houve mediação. A gente pediu para que o Flamengo fizesse uma proposta e vieram com valores pífios. Valores que não satisfizeram as familiares. Não há ninguém do Flamengo aqui que decida. Onde está presidente? Será que ele tinha algo mais importante para fazer? É uma falta de respeito. Peço a todos os torcedores que vão estádio e que tem mandado mensagens para nós que reflitam o que o time que eles torcem está fazendo com a gente. Isso não se faz nem com cachorro. Não houve negociação. Qualquer tipo de negociação está encerrada”, disse Danrlei Pisetta, pai do goleiro Bernardo.

Pai de Pablo vítima da tragédia do Ninho do Urubu Flamengo — Foto: Reprodução

Pai de Pablo vítima da tragédia do Ninho do Urubu Flamengo — Foto: Reprodução

Uelisson Cândido (pai de Pablo Henrique) e Marília de Barros (mãe de Arthur) também desabafaram e detonaram a postura do Flamengo.

“Até hoje eu não recebi um telefonema do Flamengo. A torcida do Flamengo abraça o time, mas o presidente não teve coragem de abraçar os nossos filhos”, disse Uelisson.

“A decepção é muito grande. Os nossos filhos morreram juntos, então devemos lutar juntos. O que estão fazendo com a gente… Não tem preço, não vão trazer nossos filhos de volta, mas a gente queria dignidade. Quantos pais lá falaram que o filho chorou no dia das mães porque estava longe, todo final de semana eu estava com o meu. Eu penso assim, tinha que ter um pouco de respeito. Respeito por nós, pai. Está faltando.Ele (presidente Rodolfo Landim) mandou o vice-presidente (Rodrigo Dunshee). Ele (Dunshee) simplesmente saiu e abandonou a reunião, nenhuma satisfação. E se fosse a gente que não desse satisfação? E se o filho não voltasse para treinar, a gente não tinha que dar uma satisfação? Essa satisfação a gente não tem. Tudo que foi proposto foi por água abaixo”, disse Marília, mãe de Arthur.

“Nenhum dinheiro vai trazer nossos filhos de volta, mas eles têm que ter um pouco de respeito. Falta respeito com os pais que estão sofrendo. Tem família aqui há uma semana, saiu do seu lar, de perto de casa, está aqui sofrendo. Aí chega aqui você escuta, nada se resolve, olha que desgaste. Você viu ali um casal simples demais, que humildade, como eles têm coragem de fazer aquilo com as pessoas? Estão sofrendo. Olha só eu, nunca mais vou ver meu filho. Alguém sabe o que é isso? Eles não sabem o que é isso, quem perdeu fui eu. Ninguém sabe a dor que eu estou sentindo, somente eu sei a dor. A todo momento eu falo, eles tinham que ter respeito” , completou a mãe de Arthur.

As famílias pedem os mesmos valores propostos pelo Ministério Público: R$ 2 milhões de indenização, além de R$ 10 mil mensais de pensão até que o ano em que as vítimas completassem 45 anos – cerca de 30 anos. O Flamengo não aceitou.

A decisão dos familiares contrasta com o otimismo do desembargador César Cury. Mediador do caso, ele deixou a reunião mais cedo e afirmou acreditar que as partes chegariam a um acordo dentro de dois meses. Horas depois, os familiares das vítimas deixaram o encontro revoltadas.

Mãe de Arthur faz uma tatuagem em homenagem ao filho no braço — Foto: Raphael Zarko

Mãe de Arthur faz uma tatuagem em homenagem ao filho no braço — Foto: Raphael Zarko

Fonte: GloboEsporte.com

Foto principal: InfoEsporte

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