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Flupress / Leonardo Bagno

Chegou a nossa vez

Chegou a nossa vez

Tricolores,

Que jogo maravilhoso o de quinta-feira. Não pela qualidade técnica apresentada pelos jogadores, mas pelos gols no final da partida e pelo comportamento da torcida que, no pós-Copa, tem sido espetacular. Não em quantidade, pois neste quesito ainda estamos devendo (quando o pessoal perderá a preguiça e encontrará o caminho para o Maracanã?). Mas a qualidade do torcedor que tem ido aos jogos tem sido fantástica.

São jogos como este que me fazem ter a certeza de que ir ao estádio é o único lugar possível de estar quando o Fluminense estiver jogando. Nada se compara à emoção sentida no local do acontecimento. O ambiente gerado pela explosão da torcida no gol, o abraço coletivo nos amigos que estão ao redor, a música que vem forte logo em seguida da bola encostar na rede, o bandeirinha correndo em direção ao meio-de-campo. Existe corrida mais gloriosa do que a do bandeirinha para o meio-de-campo? Não tem.

Viagem para Fluripa para vermos a final da Copa do Brasil de 2007.

Em 2006, tive o orgulho e o prazer de participar do surgimento da Legião Tricolor que, modéstia à parte, mudou para melhor o comportamento da torcida do Fluminense nos estádios. Antes, nossa torcida havia se tornado um organismo apático, sem vibração, que apenas reagia às jogadas de dentro de campo, abrindo mão de um fator importante no futebol: influenciar favoravelmente no andamento da partida.

Hoje, não tenho dúvidas de que a torcida do Fluminense influencia favoravelmente quando vamos ao estádio. Dá orgulho de ver a força do nosso canto, empurrando o Fluminense para a vitória, mesmo com um time de qualidade técnica duvidosa. Isso porque conseguimos entender que no futebol pode acontecer de tudo: até gol olímpico do Sornoza ou uma bomba de cabeça do Digão nos minutos finais da partida.

Lá em 2006, quando a Legião Tricolor começou, os poucos que compraram a ideia inicial (cerca de 20 pessoas) eram vistos com desdém pelo restante da torcida. Com o passar do tempo, essa torcida que desdenhava desses 20 comprou a ideia e transformou esse pequeno grupo num bloco enorme na arquibancada.

Fluminense x Boca pela Libertadores 2008.

Quando isso aconteceu, outro fenômeno foi testemunhado: aqueles que não estavam presentes nos jogos com frequência passaram a frequentar mais os estádios para ver o time e, especialmente, a torcida do Fluminense, que passou a dar show, literalmente, no campo e na arquibancada.

No fim, era difícil dizer se a torcida ia aos jogos porque o Fluminense estava jogando bem ou se o Fluminense estava jogando bem porque a torcida ia aos jogos. Para mim, nem um nem outro. Tudo estava acontecendo porque as duas coisas se complementavam. Quando o time jogava mal, a torcida, com o seu novo comportamento, influenciava os jogadores em campo. Quando a torcida cansava, os jogadores em campo contagiavam a arquibancada, que inflamava novamente. Ou seja, era o Fluminense sendo Fluminense. E, senhores, conheço poucas forças maiores do que essa.

Hoje, temos quase o mesmo cenário de 2006: um time de qualidade técnica limitada, mas aguerrido em campo com uma torcida valente, mas ainda não numerosa. Para que a nossa torcida faça o seu papel de forma correta, criando aquela espiral de 2006 que nos levou ao título da Copa do Brasil de 2007, ao título da Libertadores de 2008 (pior para os fatos!), à arrancada final e milagrosa no Brasileiro de 2009, ao título do Brasileiro de 2010… Enfim, para que a torcida consiga repetir o que foi feito lá atrás, há quase 10 anos, precisamos dela na arquibancada.

Um jogo qualquer em 2007.

Não estou dizendo com isso que quem está indo aos jogos não é a torcida do Fluminense. Os 15 mil de sempre sabem muito bem que, pelo contrário, eu acho que nós somos a resistência. Sempre seremos! Acontece que um exército não é feito apenas pela resistência. Precisamos convocar o pessoal da reserva.

E a torcida do Fluminense somos todos nós. A Legião Tricolor aconteceu porque as pessoas compraram a ideia e faziam acontecer na arquibancada. Os que vieram depois, fizeram acontecer do mesmo jeito. E aqueles que não ficavam no meio da bateria, mas em outros setores do estádio, também fizeram acontecer, no lugar deles, longe do coração do Movimento, mas cantando como se lá estivessem. E é justamente isso que faz uma torcida forte.

Nada é mais bonito e impactante do que a gente.

Hoje nós temos esse comportamento arraigado. A Leste Superior e Inferior cantam do mesmo jeito que a Sul. Mas falta soldado nas trincheiras. Os 15 mil de sempre não correspondem com o nosso tamanho.

O que faz uma torcida forte é cada um de nós, vestindo a camisa do Fluminense e indo para o jogo com o intuito de empurrar o Fluminense para mais uma vitória olímpica, como a de quinta-feira passada. Cobrar quando os jogadores não estiverem representando as nossas cores e empurrar até o fim quando estiverem.

Nós somos o motivo da existência desse clube. E se abrirmos mão da nossa presença, o tamanho dele será proporcional. Quando a nossa torcida comparece em bom número e se comporta como já aprendeu a se comportar, transformamo-nos no maior espetáculo que o futebol pode proporcionar: o Fluminense F. C.

Amanhã temos jogo no Maracanã novamente. Contra o Bahia. Os ingressos continuam com preço promocional no setor Leste Superior. Para quem é sócio do clube, todos os setores estão com preço promocional. Nosso time está jogando com vontade, no melhor estilo time de guerreiros. Está faltando a gente, pessoal. E acho que chegou a nossa vez de aparecer para criar aquela espiral mencionada acima.

Saudações Tricolores,

Leonardo Bagno

ACRÉSCIMO DE TEMPO: +2

46min: Parece que a bateria da Bravo está retornando. Melhor notícia e momento não há. Pra cima deles, Tricolor!

47min: Alô, gerente do Tip Top (melhor restaurante da região do Maracanã). Tá faltando Heineken para a rapaziada. Assim não dá!

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Eu sou Fluminense. O resto não importa.
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