Share This Post

Gustavo Albuquerque

A quem interessa?

A quem interessa?

Pedro machucado. Rumores falam em 21 dias. Ninguém sabe ao certo.

 

Vi muita gente na nossa torcida “comemorando” o momento da contusão, analisando o assunto sob a perspectiva de que, lesionado, não será vendido na janela que fecha na próxima sexta.

 

Acho maravilhoso que parte de nossa torcida ainda consiga ver os copos meio cheios eventualmente. Eu não.

 

A Flusócio é uma espécie de Midas às avessas. Nada sobrevive ao toque desses camaradas. Meu receio, honestamente, é que vendam nosso centroavante na surdina, na calada da noite, por um preço mais “em conta” em razão da lesão.

 

O Fluminense desses caras é um entreposto. Ou uma vitrine bem localizada num campeonato que ainda desperta a cobiça de clubes europeus e asiáticos. Somos um balcão de negócios. Ídolos são rifados com sorrisos cínicos no canto da boca; promessas são embaladas para presente e só faltam jogar com etiqueta de preço pendurada à camisa. Os melhores e mais experientes jogadores do time? Esses são caros. Contratos são rescindidos e geram acordos que não são honrados, virando passivos maiores que as contas mensais com os caras jogando. Scarpa – que saiu porque o clube não pagou vários meses de salário – joga no Palmeiras; Diego Souza mete gol toda hora no líder do campeonato, após ser liberado por duas mariolas; Henrique e Douglas jogam no Corinthians, e por aí vai.

 

Por aqui, atacantes continuam chegando. Kayke, Junior Dutra e afins. Perebas que não servem sequer para dar aquela encorpada no frágil elenco.

 

Balcão de negócios! É o que somos. A última fronteira ultrapassada por essa turma foi transformar nosso time em trampolim de jogador.

 

Vem o Nathan, joga três ou quatro partidas, e é vendido para longe. Luan Peres, melhorzinho que os que estão conosco, idem. Até o possante João Carlos, um arremedo de jogador, usa (ou é usado?) pelo clube para se transferir.

 

A quem interessa? Quem se beneficia com essa forma de operar? Será que alguém em Laranjeiras liga para o que pensa o torcedor? A mediocrização sistemática do time de futebol profissional do clube é só incapacidade de gestão?

 

Como um clube quebrado pode manter uma filial na Roraima europeia? E na segunda divisão?

 

Repito: como? Algum de vocês já se deu ao trabalho de analisar o balancete publicado pelo Fluminense?

 

Amigos, o passivo continua a crescer mesmo com toda  a dilapidação de nosso time.

 

Ah… Mas a culpa foi do Peter, eles repetem como um mantra. Pro inferno! O mesmo Peter – que eu duvido que se digne a assistir a 10 minutos de qualquer jogo do Fluminense e que não escala de cor o time do tricampeonato – que fez campanha intensa para eleger Abad e Flusócio. E não me venham defender que Peter fez isso porque é tricolor. Fez porque tinha que ter gente amiga – e cúmplice – para varrer para debaixo do tapete todas as irresponsabilidades cometidas em seis anos de descalabros no comando do Fluminense. Escolheu, vejam que ironia, o presidente de seu conselho fiscal que, como um bocó, diz a amigos que não sabia de nada. Isso porque não é fiscal de formação, é astronauta.

 

A torcida? Sofre confinada num Maracanã cada vez menos atrativo e mais vazio. Eram quinze mil, no último jogo não passamos da metade.

 

O Richard faz mal à saúde. Esse deveria ser o patrocínio na camisa e não essas permutas eternas com empresas que ninguém sabe o que fazem, fabricam ou vendem e que usam nossa camisa para depois nos calotarem – ou nos sacanearem – impiedosamente.

 

De novo: a quem interessa?

 

Mas estamos em décimo. Tem time pior. “Vira essa boca pra lá, não vamos cair”.

 

Não vamos cair. E ano que vem, se Deus quiser, não vamos cair de novo.

 

Clap! Clap! Clap! Os caras estão conseguindo.

 

O fim de um clube como o Fluminense não é a placa de FECHADO adornando o portão de Álvaro Chaves.

 

O fim de um clube como o nosso é a resignação.

 

O copo não está meio cheio, amigos. E essa consciência é a única fagulha que ainda pode nos salvar.

CURTAS

  • Fui ver o Flu no Uruguai e depois entrei de férias, inclusive do time. Acompanhei os jogos pela internet mas peço a compreensão por não ter escrito nas duas últimas semanas. Bom descansar de tudo
  • A imagem que ilustra o post é do genial perfil “ABAD, O FISCAL” do twitter. É pérola em cima de pérola. Espero que o autor, que desconheço, não se importe.

Share This Post

Gustavo Albuquerque avatar
44 anos,  é advogado, autor da Ação Popular que possibilitou a volta do Pó de Arroz aos estádios e escreveu sobre Fluminense no Blog do Torcedor do Globoesporte.com entre 2012 e 2018.

3 Comments

  1. Guilherme Milone Silva avatar

    Gustavo, falto responder a quem interessa. Hoje o Evandro Ventura fez uma breve análise do balancete semestral do Flu. Estão lá registrados os R$16,5 MM em “serviços de terceiros”. Isto quer dizer que gastamos o equivalente a 41% da folha do futebol para sustentar funcionários que não sabemos ao certo o que fazem e nos entregam um time de segunda (tem jogador de quarta como Richard), estádios vazios, contratos de patrocínio sempre descumpridos e resultados esportivos abaixo do aveitável para os padrões tricolores. As coisas pioram mais ao vermos que uma rubrica sob o nome “despesas diversas” acumula R$12 MM. Ninguém sabe a que se destinou este dinheiro.
    Por estas duas evidências, podemos concluir que ao grupo que mama no Flu, interessa muito a continuidade das mamatas dda era Peter. Será que não tem um único tricolor de caráter nestes Conselhos que resolva interromper o reinado de impropriedades existente nas Laranjeiras? Estamos destinados a ver outra sucessão de farsas como na política nacional? Em Brasília tiramos uma estelionatária, sucessora de um bandido e colocamos no lugar um ser estúpido que passou seus últimos anos dando apoio ao mesmo governo incompetente desde 2003. No Flu, o que teremos para suceder o mentecapto Abad, sucessor do prepotente Peter? Precisamos de u tricolor de coração e competente.
    A benção João de Deus!

  2. Bruna Personal avatar

    Nota 10 como sempre Gustavo!

  3. Carlos Gaia avatar

    “Meu receio, honestamente, é que vendam nosso centroavante na surdina, na calada da noite, por um preço mais “em conta” em razão da lesão.”

    Fato

    ST

Comments are now closed for this post.

P