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Emiliano Tolivia / Flupress

Só o Gum não passará jamais

Entra ano, sai ano, desde quando já nem me lembro mais, e a pergunta sempre se repete, no começo de cada temporada:

– Quem vai chegar para o lugar do Gum na zaga?

Vai Taça Guanabara, vem Taça Rio, Copa do Brasil e, sem nem perceber, lá está Welington Pereira Rodrigues novamente envergando nossa camisa 3.

Tenho a clara impressão de que isso já se repete há décadas. Este cara seria o Thiago Silva? Ou o Lima? Talvez o Ricardo Gomes. Edinho? Abelão poderia resolver. Píndaro ou Pinheiro? Todos tentaram ocupar a posição, mas, num piscar de olhos, é Gum neles. Só o Fluminense tem igual vocação para a eternidade, como diria Nelson Rodrigues.

Não dá para dizer que 2018 não prometeu. Chegamos a acreditar em Luan Péres. A boa saída de bola de Nathan Ribeiro nos levou a crer que enfim era hora de encostar o capitão. Mas a razoável dupla mal levantou uns tufos de grama do CT da Cidade de Deus e já se mandou. Renato Chaves, ao perceber que a tarefa seria impossível, levou seu dente de ouro para a Arábia Saudita.

Foto: Lucas Merçon

Restou apenas Digão, que tem lá sua vocação para a eternidade também. É o Píndaro, o Xororó, o Yang, do Gum. E foi assim que o Fluminense venceu o Corinthians na noite de quarta-feira. É provável que o Gum esteja perto do milésimo. Se pesquisar direitinho (alô, Bolt!), se contar… eu acho que chega a passar o Waldo. Se contar gols à moda Túlio, deixa o Pelé na poeira.

Um lindo gol feio, meio desajeitado, empurrando de joelho para dentro, mais sem jeito que lançamento dele próprio. Três pontos fundamentais para deixar a zona-que-não-falamos-o-nome mais distante e, por que não, olhar com mais carinho para a parte de cima da tabela.

Tanto quanto a falta de qualidade técnica, impressiona a instabilidade deste Fluminense. Se contra o América-MG o time passou 45 minutos praticamente sem chutar a gol, contra o Corinthians dá para dizer que teve uma atuação das mais dignas.

A rigor, o Corinthians chegou com perigo em uma cabeçada no primeiro tempo, bem defendida pelo Júlio César no meio do gol. De resto, apenas chutes para fora.

Já o Flu podia ter ampliado o placar nas boas chances que teve, não fossem a grande atuação do goleiraço Cássio, a noite pouco inspirada do Pedro (que ainda assim deu o passe para o gol) e o fato de o Matheus Alessandro ser o curupira da vida real.

Ontem, incrivelmente o árbitro Ricardo Marques, um árbitro confuso daqueles, foi bem. Acertou em cheio, como a cotovelada no Digão, a expulsão do Romero. Fiquei tão surpreso quanto Gum, que agradeceu, após o jogo, o auxílio do inexistente árbitro de vídeo (vale a pena demais ver o vídeo).

Acertadamente também anulou um gol do Gum, pelo fato de o escanteio batido por Marcos Júnior ter ido por fora do campo. Seria merecido para um zagueiro que está a um jogo de entrar na lista dos dez jogadores que mais atuaram com a camisa tricolor, de acordo com o Bolt.

Eu não sei se o Gum tem qualidade para estar há tantas décadas no Fluminense – e figurar nessa lista. Já passei muita raiva e muita alegria com ele. Como diz o Caio, ele não é bom zagueiro, mas é um bom atrapalhador de adversário, o que já ajuda bastante.

O único que sei é que daqui a uns dez anos, vão trazer um promissor zagueiro da Ponte Preta e, num piscar de olhos, o titular será, novamente, o Gum.

E assim seguiremos protegidos por um cavaleiro nobre. São Jorge? Só se for em São Paulo. Guerreiro aqui é o Gum!

Horário ruim? Põe o Flu!

Uma pena a pouca presença de público. Mas não culpo o torcedor – hábito dessa turminha da pesada que tomou as Laranjeiras. Horário ruim, ingresso caro no setor onde a torcida mais gosta de ficar, campanha irregular e, o pior de tudo: transmissão ao vivo, em TV aberta, para o Rio de Janeiro.

É um ciclo extremamente danoso para o Fluminense – além da qualidade do time, claro. O Tricolor tem sido colocado nos piores horários em sequência. É segunda-feira, é sábado 21h, é domingo às 19h. Claro, nem todo mundo pode jogar domingo às 16h. Mas está puxado.

Como a diretoria não se posiciona, não tem voz nem relevância na CBF, vai ser isso mesmo até o fim do Brasileiro. A menos que o Fluminense consiga uma improvável arrancada, essa oscilação de público será uma constante até dezembro – com espasmos na Sul-Americana.

– Não sei se a torcida anda anestesiada, se são os smartphones, mas ontem, após cinco minutos de bola parada, pouca gente notou a expulsão do Romero. A comemoração foi baixíssima. Só quando o cartão vermelho apareceu no telão é que, enfim, houve reação maior. Eu mesmo, sabe-se lá por que, estava viajando, olhando para o gol vazio, relembrando o gol do Romerito na final do Brasileiro de 84. Atenção, rapaziada!

– Ontem, enfim, tivemos um meia no banco. Danielzinho não entrou, mas já é um começo. Se trouxe de volta, é preciso testá-lo.

– Gilberto foi muito bem ontem. Erra aqui e ali na defesa, mas é fundamental neste time. Flu tem que segurar para o ano que vem.

– Paguem logo essa dívida com o Maracanã. Ninguém mais aguenta ir a jogo em Edson Passos!

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Jornalista e pitaqueiro, andou metendo o bedelho no GloboEsporte.com, LANCE! e no balcão mais próximo.
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