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Premier League

Guardiola, Klopp e o novo patamar da Premier League

Guardiola, Klopp e o novo patamar da Premier League

A temporada da Premier League 2018/19 chegou ao fim neste domingo (12), com o Manchester City, mais uma vez, na ponta da tabela. A equipe comandada por Pep Guardiola, que já havia sido campeã na temporada anterior com 100 pontos conquistados, terminou a competição com 98 pontos. Incríveis 198 pontos em duas temporadas e o bicampeonato. Enquanto isso, o Liverpool de Jürgen Klopp, apesar de ter feito a melhor campanha da história do clube (97 pontos), acabou com o vice-campeonato, mantendo um jejum de títulos do campeonato inglês que já dura 29 anos.

O nível de disputa que o futebol inglês atingiu nesta temporada é algo impressionante, e o retrato disso são as finais das duas competições continentais europeias serem inteiramente formadas por equipes inglesas: Liverpool x Tottenham (Champions League) e Chelsea x Arsenal (Europa League), algo inédito. Além disso, ao observar-se o próprio cenário nacional, a disputa foi elevada a um patamar jamais antes visto. A campanha que fez o Liverpool, 30 vitórias, sete empates e apenas uma derrota, seria suficiente para a equipe ser campeã em qualquer outra edição da Premier League, exceto nas temporadas 2017/18 e 2018/19. Por isso, o Futebolzinho.com destaca alguns pontos da campanha dos Reds.

Jürgen Klopp

Apesar de ainda não ter conquistado nada além de uma bela coleção de vice-campeonatos – Carabao Cup 2016, Europa League 2015/16, Champions League 2017/18 e Premier League 2018/19 -, Jürgen Klopp definitivamente transformou o Liverpool e recolocou a equipe no patamar dos gigantes do futebol europeu. Teve influência direta na contratação dos principais nomes da equipe. Com seu estilo intenso e vibrante à beira do campo, é amado pelos jogadores, diretoria e torcida. Sincronismo perfeito entre técnico e clube. Não à toa levou a equipe à segunda final de Champions League consecutiva.

Em entrevista, Klopp disse que esse Liverpool vai voltar melhor ainda para a próxima temporada a fim de conquistar a primeira Premier League para o clube.

“Nossa campanha foi muito boa, inacreditável. Se tivesse um prêmio para o maior desenvolvimento, essa equipe venceria. Esse time com certeza é um dos melhores da história do Liverpool. Mas jogamos em uma liga com outras equipes muito boas, e temos que aceitar”, disse Klopp. 

Sistema defensivo

Talvez o setor mais importante para a temporada do Liverpool. As chegadas de Alisson, Van Dijk e Robertson, além da aposta em Alexander-Arnold, transformaram o setor que era considerado a principal fraqueza da equipe na temporada passada, no melhor da competição.

Imagem / Under Stats

De acordo com o site de análises estatísticas, Under Stats, na temporada 2017/18, na qual o Liverpool terminou em quarto lugar, a equipe comandada por Klopp deveria, teoricamente, ter terminado a competição na terceira posição. Isso porque o site analisa quantos gols a equipe deveria ter feito/sofrido (expected goals), levando em consideração o número de chances criadas, qual posição do campo a bola foi chutada, com qual pé e por qual jogador. No caso do Liverpool da temporada passada, o expected goals de gols sofridos (xGA) era de 35, mas na verdade sofreu 38. Ou seja, a defesa concedeu gols em lances de baixa probabilidade de acontecerem, muito por conta da fragilidade defensiva e de falhas individuais, que impediram a equipe de alcançar os virtuais 79 pontos.

O material se faz importante ao analisarmos, por exemplo, os números do vice-campeão, Manchester United. A equipe comandada por José Mourinho não apresentou um futebol digno da disputa pelo título e isso fica claro ao observar-se o xGA da equipe. De acordo com a análise, o United deveria ter sofrido 44 gols, mas sofreu apenas 28. Devido à grandes atuações individuais do goleiro espanhol, De Gea, a equipe, que terminaria a competição com 62 pontos, chegou ao fim com 81 e vaga assegurada na Champions League.

Imagem / Under Stats

Já o Liverpool de 2018/19 possui um xGA positivo. Pela primeira vez desde a temporada 2008/09, dois goleiros terminaram a Premier League com 20 ou mais clean sheets, ou seja, jogos sem sofrer gols: os brasileiros Alisson (21) e Ederson (20), sendo o arqueiro dos Reds líder no quesito. Além dele, o zagueiro holandês, Van Dijk, também foi fundamental nesta crescente defensiva do Liverpool sendo eleito, inclusive, o melhor jogador da temporada.

Outros dois pontos fundamentais na campanha foram os laterais. As presenças de Robertson e Alexander-Arnold nas pontas deram não só a consistência defensiva necessária, como também potencializaram o poderoso trio ofensivo da equipe. Os dois laterais juntos somaram 23 assistências; 11 de Robertson, 12 de Arnold, sendo este, inclusive, o recordista do quesito entre defensores na história da Premier League.

Artilharia

Em um campeonato com a artilharia divida por três atacantes, dois são do Liverpool. Ao lado de Aubameyang, Salah e Mané fizeram grande temporada e terminaram a competição com 22 gols marcados, cada. Além deles, o brasileiro Firmino marcou 12 vezes, totalizando 56 gols para o trio de ataque dos Reds (63% do total da equipe).

Manchester City e Guardiola

Apesar da campanha espetacular do Liverpool – melhor defesa, melhor goleiro, melhor zagueiro (e jogador), melhores laterais e dois dos três artilheiros, houve uma equipe capaz de superar os comandados de Klopp. Uma única equipe. Uma única derrota em 38 partidas. E foi justamente o City de Guardiola – e Stones.

A equipe perdeu a invencibilidade ao ser derrotada pelo Manchester City por 2 a 1, no Etihad Stadium, em partida válida pelo segundo turno da competição. Se o zagueiro Stones calçasse um número a menos, talvez os Reds conseguissem superar os onze milímetros que os separaram da primeira Premier League de sua história.

 

 

 

 

 

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Davi Barbosa avatar
Advogado, jornalista em formação e pai da Helena. Apaixonado por futebol e pela arte da cornetagem.
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