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Cadê a escola brasileira de futebol?

Estamos passando, já há pelo menos duas décadas, por um fenômeno estranho no futebol brasileiro. Durante todo o desenvolvimento do nosso futebol, que vem desde o início da sua prática no Brasil, já passamos por diversas fases: No começo o futebol aqui era praticado por imigrantes ingleses e, obviamente, não havia uma identidade específica brasileira. Jogávamos o futebol deles, a partir dos seus fundamentos e táticas. Em meados da década de 1910, começamos a nos “libertar” um pouco da total dominação esportiva anglo-saxônica e começamos a ter jogadores com uma forma específica de jogar, principalmente no que diz respeito à criatividade de fundamentos. Surge Friedenreich, talvez o primeiro insumo de estudo para uma nova escola que estava se criando. Na década de 1930, surgem Domi...

A Seleção Brasileira que ainda é do povo

Neste fim de semana, em que tivemos as seleções femininas e masculinas de futebol jogando, vivi uma experiência interessante que creio ser um indicador de como as coisas andam em relação à representatividade para o torcedor desta “entidade” chamada Seleção Brasileira. Pois bem, assisti os dois jogos no mesmo lugar, um bar em Ipanema. Um no sábado (Copa América) e um no domingo (Copa do Mundo Feminina). No sábado: bar não lotado, as 5 televisões passando o jogo do Brasil, jogando pela primeira vez na competição um futebol digno, sobre um adversário que, embora não seja lá essas coisas (Peru), é um adversário histórico na América do Sul. 5 x 0, nenhuma comemoração efusiva, ninguém prestando muita atenção ao jogo e, no final, Brasil classificado em primeiro do grupo, críticas e ma...

Lições dolorosas demais para fechar os olhos

A arrasadora morte do atacante Thalles, de apenas 24 anos, é o tipo de falecimento que nos deixa reflexões e aprendizados. Thalles era mais um garoto proveniente das periferias do Rio de Janeiro. Via no futebol a chance de mudar a realidade da sua família. O atacante talentoso, até então na base do Vasco e depois no começo dos profissionais, era encarado como aposta certa na Europa e quem sabe até na Seleção. Eu vi os primeiros gols do Thalles na arquibancada do Maracanã, em 2013. Vasco 3×2 Goiás, com o Cruz-Maltino eliminado da Copa do Brasil, mas a sensação ao sair do maior palco da história do futebol era: “Talvez eu tenha presenciado o nascimento de um novo craque”. A realidade de Thalles é idêntica a de milhares garotos que estão começando ou até que já brilham nos gramados do fu...

Uma proposta para salvar o VAR

Não conheço ninguém que esteja satisfeito com o VAR. Como tenho dito há algum tempo, a idéia da FIFA era mesmo essa, gerar esta insatisfação. Continua servindo para, inexplicavelmente, validar erros e, pior, acabar totalmente com a responsabilidade e a ação dos árbitros de campo, que nitidamente deixam de marcar os lances esperando por sua intervenção, mudando completamente o fluxo natural da partida. Continuo considerando a idéia fundamental e que tem, sim, como funcionar. Por isso, e por achar que o eterno crítico, que nunca propõe alternativas e não se dispõe a participar para mudar, não passa de um chato de galochas, tento aqui dar a minha contribuição com uma proposta de funcionamento. Vamos a ela: —————————-/////——R...

Bom futebol X Eficiência

Fluminense e Botafogo fizeram no sábado um daqueles jogos muito atípicos, que as pessoas costumam falar que geram a paixão pelo futebol. Paixão dos torcedores vencedores, claro. Existe o conceito de times que jogam mal e vencem. Na minha visão, times jogam mal e vencem porque o outro foi pior de alguma forma e o único jogo vencido injustamente é aquele em que a arbitragem não garante a justiça da regra. Assim sendo, não pode ser considerada injusta a vitória do Botafogo, mesmo com todos os números, e até mesmo a olho nú, sem a frieza quantitativa, indicando uma superioridade grande do Fluminense durante a partida. Começando pelos perdedores, o Fluminense fez o melhor primeiro tempo, no que diz respeito ao aspecto tático, desde que o Diniz chegou. E isso não foi por acaso. Ele corrigiu erro...

Sidão foi UM dos problemas do Vasco na derrota para o Santos

Sidão falhou muito, mas o time todo foi péssimo no Pacaembu (foto: www.vasco.com.br) A atuação catastrófica do Sidão na derrota do Vasco para o Santos por 3 a 0 não é justificativa para a humilhação pública que o goleiro foi obrigado a passar para o “entretenimento” dos telespectadores. Não é a primeira vez que um veículo das Organizações Globo expõe um profissional à vergonha. Já tinha feito o mesmo em outras entregas do troféu “Craque do Jogo” para atletas que venceram a votação popular por ironia da audiência e, no caso mais grave, espezinhou o goleiro Muralha por meses a fio nas páginas do jornal Extra. Mas isso não tem nenhuma relação com a atuação do Vasco na partida. Aliás, essa história toda – incluindo a tentativa da Rede Globo de limpar a própria barra depois de ter feito a beste...

VAR feito para errar (rimou!!!)

Ontem tivemos mais um episódio da saga do “como algo feito para minimizar erros, pode potencializá-los”. – Ahh, Antônio, você só tá reclamando agora porque aconteceu contra o seu time … Não é verdade! Quem me dá o prazer de ler o que escrevo, sabe muito bem que estou criticando o VAR desde que fiquei sabendo a forma como ele seria implementado. E aí cabe um esclarecimento: não sou contra o VAR, muito pelo contrário, sou muito a favor, adoro ver os erros de arbitragem serem dirimidos e a justiça sendo feita em todas as modalidades esportivas em que foi implementado. Acho que justiça no esporte (e na vida em geral) é fundamental e acho mesmo que o VAR é o caminho. Comemorei efusivamente que a pressionada FIFA, com todos os escândalos que ela vem protagonizando sob a f...

Libertadores 1981 – Esclarecendo Historicamente.

Há muitas contestações ou tentativas de redução em relação ao título rubro-negro da Libertadores de 1981. Embora tricolor, e talvez até por conta desta qualidade ímpar (não ia perder esta oportunidade), só me cabe aqui restabelecer a verdade histórica sobre os acontecimentos da época. 1 – Guerra das Malvinas e a não participação de clubes argentinos e uruguaios Certamente você que está lendo já ouviu falar de que a Libertadores foi mais fácil em 1981 por conta desta guerra e da ausência de clubes de alguns países, ou que então alguns países teriam mandado equipes reservas ou de base para a competição. Não é verdade. Em primeiro lugar, pra quem entende um pouquinho de futebol, o conceito de titular e reserva é muito relativo. Em segundo, embora já houvesse tensão entre a Inglaterra e ...

Um castelo de areia não suporta o tsunami

O título vem de uma música chamada “Hat-Trick”, de Djonga, cantor de rap nacionalmente conhecido. Antes do verso que inspirou este post, há outro com as seguintes palavras: ‘Perca para um grande adversário, não para a sua incompetência’. O Vasco, nesta final de Campeonato Carioca, acabou perdendo para os dois. Mas foi a incompetência do Cruz-Maltino que pautou o título rubro-negro. O técnico Alberto Valentim ficou para 2019. Fez a pré-temporada, ganhou reforços em que participou das escolhas e teve tempo para trabalhar. Mesmo pressionado pela campanha pífia (33% de aproveitamento) em 2018, a diretoria resolveu bancar a permanência do comandante que reintegrou um lateral-esquerdo afastado e o tornou o camisa 10 do time acreditando que ele era o homem mais adequado pa...

Santos quer Maxi López para ser o ‘camisa 9’ do time de Sampaoli

A relação entre Vasco e Maxi López em 2019 está abalada. A lua de mel de 2018 vem dando lugar a insatisfações com a diretoria pela renovação ter emperrado, com o técnico Alberto Valentim pelas decisões e a barração em algumas partidas e também um desempenho abaixo do esperado em campo. Os fatores, monitorados de perto, fizeram o Santos se interessar pelo argentino de 35 anos, que tem contrato até o fim de 2019. O time de Sampaoli, admirador do futebol de Maxi López, é cobrado por um “camisa 9” e as informações que chegam de Santos é que o Peixe vê no centroavante a peça ideal para ocupar a vaga: experiência e qualidade num time cheio de garotos talentosos. Maxi López tem um grande carinho pelo Vasco. Se sentiu acolhido e tinha até a intenção de se aposentar no clube. Mas os trâmites de sua...

Dossiê Maxi López: a verdade desde a chegada ao atual cenário do argentino em São Januário

A relação que deu certo em 2018, com o argentino sendo o principal responsável pela permanência do Cruz-Maltino na Série A, está abalada. E a reportagem do “Os Donos da Bola”, da Band, foi a fundo para responder a pergunta que não sai da cabeça dos vascaínos: o que está acontecendo entre Vasco e Maxi López? De forma cronológica, a reportagem preparou uma matéria especial com detalhes jamais revelados sobre a chegada de Maxi ao Vasco, a boa fase vivida, as propostas que o argentino recebeu no fim de 2018 e, finalmente, a renovação de contrato que vem gerando polêmica e chateando o centroavante. A CHEGADA A diretoria do Vasco, junto à “Turma do Quiosque”, grupo liderado por Fernando, o “Zé Colmeia”, vascaínos ilustres e representantes da empresa Life Pro, ...

Conheça Bananapona!

Poucos ouviram falar em Bananapona, um lugar tropical na idade média. Na verdade, poucos acreditam que ela tenha realmente um dia existido. Existe uma fábula sobre esta terra que pode parecer muito atual, mesmo partindo do imaginário de quem a conheceu ou simplesmente a inventou. – Não entendi, uma fábula? Uma terra de animais que falam e se comportam como gente? Não, acho que me expressei mal. Melhor dizer que é uma anti-fábula, onde homens falam como gente, mas se comportam como animais. Pra entender melhor, vamos a ela: Bananapona, como toda sociedade normal, tinha um esporte pátrio, que foi batizado, no seu idioma, herdado de seus descobridores, uma mistura de dialeto mouro com anglo-saxão, como “enxaq”. O enxaq era uma espécie de futebol americano sem bola, em que os...

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