Fazendo a “de fora”

Fazendo a “de fora” – Blog do torcedor tricolor Antônio Ramos.

Cadê a escola brasileira de futebol?

Estamos passando, já há pelo menos duas décadas, por um fenômeno estranho no futebol brasileiro. Durante todo o desenvolvimento do nosso futebol, que vem desde o início da sua prática no Brasil, já passamos por diversas fases: No começo o futebol aqui era praticado por imigrantes ingleses e, obviamente, não havia uma identidade específica brasileira. Jogávamos o futebol deles, a partir dos seus fundamentos e táticas. Em meados da década de 1910, começamos a nos “libertar” um pouco da total dominação esportiva anglo-saxônica e começamos a ter jogadores com uma forma específica de jogar, principalmente no que diz respeito à criatividade de fundamentos. Surge Friedenreich, talvez o primeiro insumo de estudo para uma nova escola que estava se criando. Na década de 1930, surgem Domi...

A Seleção Brasileira que ainda é do povo

Neste fim de semana, em que tivemos as seleções femininas e masculinas de futebol jogando, vivi uma experiência interessante que creio ser um indicador de como as coisas andam em relação à representatividade para o torcedor desta “entidade” chamada Seleção Brasileira. Pois bem, assisti os dois jogos no mesmo lugar, um bar em Ipanema. Um no sábado (Copa América) e um no domingo (Copa do Mundo Feminina). No sábado: bar não lotado, as 5 televisões passando o jogo do Brasil, jogando pela primeira vez na competição um futebol digno, sobre um adversário que, embora não seja lá essas coisas (Peru), é um adversário histórico na América do Sul. 5 x 0, nenhuma comemoração efusiva, ninguém prestando muita atenção ao jogo e, no final, Brasil classificado em primeiro do grupo, críticas e ma...

Uma proposta para salvar o VAR

Não conheço ninguém que esteja satisfeito com o VAR. Como tenho dito há algum tempo, a idéia da FIFA era mesmo essa, gerar esta insatisfação. Continua servindo para, inexplicavelmente, validar erros e, pior, acabar totalmente com a responsabilidade e a ação dos árbitros de campo, que nitidamente deixam de marcar os lances esperando por sua intervenção, mudando completamente o fluxo natural da partida. Continuo considerando a idéia fundamental e que tem, sim, como funcionar. Por isso, e por achar que o eterno crítico, que nunca propõe alternativas e não se dispõe a participar para mudar, não passa de um chato de galochas, tento aqui dar a minha contribuição com uma proposta de funcionamento. Vamos a ela: —————————-/////——R...

Bom futebol X Eficiência

Fluminense e Botafogo fizeram no sábado um daqueles jogos muito atípicos, que as pessoas costumam falar que geram a paixão pelo futebol. Paixão dos torcedores vencedores, claro. Existe o conceito de times que jogam mal e vencem. Na minha visão, times jogam mal e vencem porque o outro foi pior de alguma forma e o único jogo vencido injustamente é aquele em que a arbitragem não garante a justiça da regra. Assim sendo, não pode ser considerada injusta a vitória do Botafogo, mesmo com todos os números, e até mesmo a olho nú, sem a frieza quantitativa, indicando uma superioridade grande do Fluminense durante a partida. Começando pelos perdedores, o Fluminense fez o melhor primeiro tempo, no que diz respeito ao aspecto tático, desde que o Diniz chegou. E isso não foi por acaso. Ele corrigiu erro...

VAR feito para errar (rimou!!!)

Ontem tivemos mais um episódio da saga do “como algo feito para minimizar erros, pode potencializá-los”. – Ahh, Antônio, você só tá reclamando agora porque aconteceu contra o seu time … Não é verdade! Quem me dá o prazer de ler o que escrevo, sabe muito bem que estou criticando o VAR desde que fiquei sabendo a forma como ele seria implementado. E aí cabe um esclarecimento: não sou contra o VAR, muito pelo contrário, sou muito a favor, adoro ver os erros de arbitragem serem dirimidos e a justiça sendo feita em todas as modalidades esportivas em que foi implementado. Acho que justiça no esporte (e na vida em geral) é fundamental e acho mesmo que o VAR é o caminho. Comemorei efusivamente que a pressionada FIFA, com todos os escândalos que ela vem protagonizando sob a f...

Libertadores 1981 – Esclarecendo Historicamente.

Há muitas contestações ou tentativas de redução em relação ao título rubro-negro da Libertadores de 1981. Embora tricolor, e talvez até por conta desta qualidade ímpar (não ia perder esta oportunidade), só me cabe aqui restabelecer a verdade histórica sobre os acontecimentos da época. 1 – Guerra das Malvinas e a não participação de clubes argentinos e uruguaios Certamente você que está lendo já ouviu falar de que a Libertadores foi mais fácil em 1981 por conta desta guerra e da ausência de clubes de alguns países, ou que então alguns países teriam mandado equipes reservas ou de base para a competição. Não é verdade. Em primeiro lugar, pra quem entende um pouquinho de futebol, o conceito de titular e reserva é muito relativo. Em segundo, embora já houvesse tensão entre a Inglaterra e ...

Conheça Bananapona!

Poucos ouviram falar em Bananapona, um lugar tropical na idade média. Na verdade, poucos acreditam que ela tenha realmente um dia existido. Existe uma fábula sobre esta terra que pode parecer muito atual, mesmo partindo do imaginário de quem a conheceu ou simplesmente a inventou. – Não entendi, uma fábula? Uma terra de animais que falam e se comportam como gente? Não, acho que me expressei mal. Melhor dizer que é uma anti-fábula, onde homens falam como gente, mas se comportam como animais. Pra entender melhor, vamos a ela: Bananapona, como toda sociedade normal, tinha um esporte pátrio, que foi batizado, no seu idioma, herdado de seus descobridores, uma mistura de dialeto mouro com anglo-saxão, como “enxaq”. O enxaq era uma espécie de futebol americano sem bola, em que os...

Detalhes de mais um Fla x Flu

Meu trabalho não permitiria chegar ao Maracanã no horário do jogo, então não comprei ingresso antecipadamente. Consegui sair, muito excepcionalmente, pouco antes das 20 horas. E até pensei em encarar um metrô e tentar arrumar um ingresso nas imediações do estádio. Mas como a possibilidade de conseguir algum lá me parecia pouco provável, corri pra arrumar uma mesa num boteco com TV em Botafogo, o já tradicional Zuzu Goró. Peguei a última que sobrou, longe pra Carlinhos da TV pequenininha, e lutei de forma hercúlea para manter duas cadeiras a mais na mesa para amigos que estavam vindo. Foram diversas abordagens: – O senhor vai usar esta cadeira? – Vou sim, queridos … O amigo “garçom” me cumprimenta e vai logo dizendo: – Ramos, tô sem Heineken. Vai de Brahm...

Sobre o Maracanã, Wembley e Acrópoles

Durante anos a fio os ingleses se orgulham do estádio de Wembley, em Londres. Aquele que só abria para jogos da seleção inglesa, um show para multidões ou uma ou outra final de campeonato. Na verdade, a decisão sobre quais jogos seriam disputados lá era praticamente monárquica. Talvez uma das poucas coisas em que dava palpite a tão simbólica realeza inglesa, inútil no sentido de poder e decisão dos destinos nacionais, mas um reduto de orgulho popular, tendo papel preponderante no direcionamento da nação para os aspectos culturais mais tradicionais. Conta-me um amigo contemporâneo inglês, não consegui confirmação sobre isso, que a caríssima e deficitária manutenção do estádio fazia parte do orçamento da realeza, alguns bilhões de libras para sustentar todo aquela “soap opera” me...

Fluminense pode conseguir o inimaginável ainda este ano.

Era imaginável a possibilidade de o Fluminense conseguir duas vagas na Libertadores ainda este ano? Pra mim, não … e pra você que acompanhou todo o calvário gerado pelo caos que vive o clube também não … sem essa … não minta pro Antônio Ramos … A vitória sobre o Atlético MG demonstrou, mais uma vez, como venho batendo na tecla, que não há jogo perdido pra ninguém. Ninguém está num nível tão acima, ou melhor, tão abaixo (mais apropriado). A perda do Pedro e de outros jogadores durante a temporada só fazia acreditar que a meta, que diga-se de passagem era a única da gestão do clube, não cair, ia ficando cada vez mais complicada. Ok, eu sei que esta abundância de vagas existente hoje deixou a zona do rebaixamento muito próxima da zona de Libertadores, mas a verdade é q...

Um Fla x Flu agridoce

Eu sei, o Fla x Flu foi sábado e de lá pra cá já tivemos diversos eventos tanto na nossa praia aqui no futebol como até mesmo fora dela, na nossa geléia geral pindorâmica. Ontem, por exemplo, o Cruzeiro se tornou muito justamente campeão da Copa do Brasil num jogo bom, dentro das nossas possibilidades aqui, recheado de polêmicas causadas justamente por quem deveria ajudar a dirimí-las, mas isto deixo pra comentar em um outro momento. Volto lá no Fla x Flu de sábado. Pra mim, estranhamente agridoce. Acre como torcedor. O Fluminense foi devastado na bola pelo Flamengo e ter perdido “apenas” de 3 x 0 pode até ser considerado uma bênção. Ficou absurdamente clara a diferença abissal dos dois times neste momento em todos os aspectos: técnico, tático, apoio da torcida, motivação dos j...

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