Beque Parado

A Magia do 10

Feliz ano novo! A coluna ainda está de férias. Recuso-me a ler o noticiário esportivo desta época, porque tem mais fake news do que reta final de campanha nas eleições. Inacreditavelmente, tem gente que acompanha a minha coluna. E o que é mais surpreendente: quer usar o espaço enquanto curto uma pausa no ofício de escrever. Atendendo ao pedido, recebi o texto, dei aquele tapa para remover um ou outro ponto que a pressa deixa passar, e está aí, a colaboração de um seguidor da coluna, que pediu anonimato. Recentemente, Zico deixou para o mundo mais uma de suas pinturas. Dessa vez, o Galo penetra a área e, sem ângulo, encobre Marcelo Lomba. Tudo bem, era jogo de festa, da sua festa. Todos correm menos do que podem. Mas o lance, mesmo assim, é de pura maestria. Qualquer bom jogador sabe do gra...

La Casa de Papelão

“Sabíamos que uma hora ou outra acabaríamos perdendo uma partida” – Rever “You don’t believe, that’s why you fail” – Yoda Setenta e dois meses. Cinquenta e duas mil, quinhentos e sessenta horas. Uma Copa do Brasil. (Por favor, dispenso eventuais correções como ‘faltou mencionar o Carioca’. A omissão é proposital) Incontáveis contratações equivocadas, para usar um termo gentil. Os indicadores acima são, claramente, da administração do futebol na gestão do atual presidente, cujo mandato encaminha-se para um melancólico apagar das luzes. O inegável e louvável talento com as finanças sucumbiu à autossuficiência e prepotência de quem dirigiu o futebol sem a autocrítica necessária que os fizessem escolher pessoas capazes de tocar o depa...

O paradoxo de Zenão

Zenão de Eleia foi um filósofo pré-socrático que viveu em por volta de 430 a.C. Seu método filosófico consistia em enunciar paradoxos, dentre os quais destaco o que é conhecido no meio matemático como Paradoxo do Arqueiro de Zenão: “Um arqueiro está distante 2 metros do alvo. Admita que a flecha ao ser lançada percorra sempre a metade do caminho restante. A flecha alcançara o alvo?” Aproveito, quase 2500 anos após Zenão, para adaptar este que é um de seus mais conhecidos paradoxos à realidade futebolística a que estamos desgraçadamente nos acostumando: “Um time está distante 2 metros do líder do campeonato. Admita que o time, nas rodadas mais importantes da reta final, percorra sempre a metade do caminho restante. O time chegará à liderança?” O Flamengo é a reencarn...

Diegos

“O bem do Flamengo é mais importante que a minha titularidade”  “Não vou viajar” Ambas as declarações foram dadas por dois dos jogadores mais importantes do elenco. Ambas ditas por Diegos. A primeira, por Diego Ribas, que começou no banco contra o Paraná, vibrou a cada gol e mostrou inquietação durante todo o período em que esteve fora da partida, gritando e incentivando o quanto pôde. Diego Ribas não vem bem há algum tempo. Seu nome já não é uma unanimidade na escalação e com merecimento, pois realmente caiu de produção. Mas sua postura fora de campo, contribuindo para a coesão do time, faz toda a diferença. E no Flamengo as coisas funcionam assim. A segunda declaração foi feita por Diego Alves, o grande goleiro que, com seu espírito de liderança, foi peça fundamen...

Wind of Change

Assim que terminou o Fla x Flu, tratei de colocar meus óculos de leitura (uma dura realidade com a qual ainda estou me acostumando – coisas da idade) e fui dar uma lida na bula da pomada Nebacetin, que guardo em casa por causa das crianças. Pelo que rapidamente pude ler, o medicamento é indicado para prevenir infecções de pele e/ou de mucosas após ferimentos, cortes (inclusive de cirurgias) e queimaduras pequenas. Essa última indicação era a que estava procurando, mas não vi em nenhum trecho da bula a recomendação de seu uso para queimaduras na língua. Sendo assim, preferi não arriscar. Admito, queimei a língua. Ok, estamos a léguas de podermos nos sentir aliviados. Pelo contrário: o time dar algum vestígio de liga pelo simples fato de termos um técnico minimamente tarimbado só dá ma...

Aperta o verde e confirma

Ontem o novo técnico do Flamengo, Dorival Junior, fez sua estréia no campeonato (obviamente o jogo de sábado passado, contra o Bahia, não contou) e o que se viu, ainda que com muitos problemas, foi uma elementar mudança de postura. Ao que parece, a vontade de ganhar, há algum tempo fora do radar do time, voltou a dar as caras. A estrada é longa e o caminho está longe de ser deserto, mas com um jogo apenas, o Flamengo sob novo comando já imprimiu uma marca histórica: foi o responsável pela maior derrota do dono da casa no Itaquerão. O resultado, importantíssimo, não deixa de nos fazer remoer uma amarga recente decepção. Por que esse empenho não foi mostrado há nove dias, contra o mesmo Corinthians, no que era o nosso jogo mais importante do semestre? Vitinho, reforçando o que eu disse aqui ...

Meu pedido de Natal

“Querido Papai Noel Desculpe-me por lhe escrever tanta antecedência. É que eu acho que, à medida que o Natal se aproxima, a quantidade de cartas que chegam ao senhor aumenta consideravelmente e não quero correr o risco de que a minha se perca entre tantas outras. E, também, porque já decidi o que quero ganhar neste Natal. Não sei se na Lapônia tem TV por assinatura que transmita os jogos do Flamengo. Se tem, o senhor deve ter visto a temporada do time em 2018. Deve ter visto que, desde janeiro, a equipe deve ter feito umas duas ou três muito boas atuações, em situações-chave que nos fizeram acreditar que poderíamos ir a algum lugar este ano. Mas a dura realidade, senhor, é que este time tem uma aura derrotista que lhe é indissociável, infelizmente. Somada a ela, um comando cuja escol...

Semana cheia, pauta vazia

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo Esta semana fiz uma enquete no grupo do qual faço parte, cujo assunto é Flamengo (se vocês me acham pessimista é porque não conhecem os demais integrantes desse grupo…): sobre o que eu deveria escrever esta semana, em que nada de muito importante aconteceu dentro das quatro linhas. A título de curiosidade, alguns dos assuntos levantados foram: um retrospecto da administração EBM; a insistência com Barbieri; o que esperar desde fim de temporada; Flamengo tuitar sobre Bolsonaro; a participação de Aloísio Chulapa na atual edição da Fazenda. Confesso que me empolguei com este último assunto, mas o programa é ruim demais para me fazer acompanhar. Então me lembrei do meu trabalho. Talvez alguns ainda não tenham lido a descrição deste autor na assinatura da co...

Leão sem dente

Foto: Lucas Tavares/O Globo A Sombra e a Escuridão é um filme de 1996 baseado na história real dos incidentes em Tsavo, ocorridos em 1898. Leões matadores de gente aterrorizaram a região, localizada no oeste do Quênia. O caso chamou atenção pela brutalidade dos ataques e pelo padrão puramente assassino – nem sempre os animais matavam para comer; matavam por matar. Estamos em 2018. Em Vargem Grande, mais exatamente no CT do Clube de Regatas do Flamengo, conta a lenda que existe um leão com aparência assustadora mas que, com poucos minutos de confronto, mostra-se inofensivo, muito pela completa ausência de dentes, o que faz sua dieta ser restrita apenas a eventuais refeições líquidas ou pastosas. O Flamengo de hoje é o leão sem dente de Vargem Grande. No jogo de ontem, contra um dos pi...

Havaianas em alto-mar

Foto: RAUL PEREIRA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO O Flamengo no pós-Copa reeditou o bonde sem freio dos tempos de Ronaldinho Gaúcho. Desta vez, contudo, não no sentido de atropelar todos sem tomar conhecimento, e sim de um bólido desgovernado, cujo destino fatalmente tudo indica ser um muro que resultará em (mais) um ano em que a realidade jogou um balde de água fria na expectativa. Será possível que a saída de um jogador – Vinícius Jr – tenha sido o gatilho para uma sequência de atuações desastrosas, pontuadas por ilhas de lucidez cada vez mais raras, como o jogo de ida contra o Grêmio em Porto Alegre? Por que Lucas Paquetá despencou de produção de forma tão acentuada? Quem endossou a contratação de um jogador com mais de 3 mil minutos ser marcar um gol? Eu poderia seguir meu lame...

Uma Verdade Inconveniente

O título da coluna da semana foi emprestado de um documentário norte-americano de 2006 sobre a campanha do ex-Vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, para educar os cidadãos do mundo acerca do aquecimento global. Porém, como você já deve imaginar, não é sobre o fenômeno climático as verdades inconvenientes desse texto, e sim um resignado desabafo após outra atuação que deixou a desejar. Tem muita gente boa que sustenta o discurso de que “o Flamengo é céu ou inferno”, que o time é bipolar, que vivemos numa montanha-russa de desempenho, que nosso gigantismo superdimensiona tudo etc. “Ah, o Flamengo é céu ou inferno…”. Até é, mas vamos lá: em todo clube grande é assim. Temos que parar de achar que pertencemos a algum planeta diferente. Nossa torcida é tão pa...

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