Fluminense

Notícias do Fluminense

Um balanço e mil folhas

Cada torcedor constrói uma relação particular com seu clube de coração. Falarei brevemente sobre a minha. Sou tricolor desde que me entendo por gente devido à escolha feita pelo meu pai, o argentino Júlio, ao chegar ao Brasil e se deparar com a Máquina de Rivellino & Cia. Amor à primeira vista, para ele e para mim, posteriormente. Eu ainda tinha 13 anos quando meu velho nos deixou precocemente. Minha mãe se desdobrou para ser “pãe”, mas contou com uma ajuda inestimável – e até inesperada. O Fluminense me ensinou muito naquele momento. Ganhar de boa, perder irritado, competir com fidalguia, prezar o coletivo e defender os companheiros, ser fiel afinal. O Fluminense me criou o hábito de ler jornais e escrever sobre futebol, me deu uma profissão ao abrir as portas do gosto pelo jornalismo...

A regra não é clara e é seletiva

“Bola na mão”, “mão na bola”, “teve intenção”, “não teve intenção”, “o braço estava colado no corpo”, “o jogador assumiu o risco abrindo os braços”. Com este pequeno repertório de argumentos os analistas de arbitragem concluem o que bem entenderem toda vez que há um lance em que a bola bate na mão. É só escolher o argumento mais conveniente para o momento e dar a sentença. Eu certamente já vi todos eles, ao analisarem lances semelhantes ao pênalti não marcado para o Fluminense no último domingo, dizerem que foi e que não foi. Dentro de campo os árbitros fazem exatamente a mesma coisa, ou seja, decidem o que lhes der na telha. E é aí que a coisa fica esquisita. Na mesma rodada tivemos o pênalti não marcado para o Flumin...

Farelos

Escrevo este post antes de Fluminense x São Paulo. Enquanto você lê o texto, eu provavelmente ainda estou no interior do Paraná, num feriado sem acesso à internet, botando a cabeça pra descansar, também do Fluminense. E essas ocasiões são boas porque posso abordar alguns temas não diretamente ligados ao que acontece nas quatro linhas. Hoje quero falar com vocês sobre marketing, relacionamento com a torcida e o que isso tem a ver com o Fluminense. Na minha opinião é um puta paradoxo a Flusócio ser um grupo que, segundo dizem, é egresso da arquibancada. Esses sete anos desde que Peter assumiu, fazendo seu sucessor, tem sido terríveis para o torcedor. E infelizmente é assim desde o primeiro dia. Lembro como se fosse hoje da primeira partida de Libertadores na gestão Peter: um Engenhão vazio e...

Pedro, o nosso novo Ademir

Amizades, eu juro a vocês, colegas torcedores, que é difícil escrever sobre a atuação do time após 6 anos de Peter Siemsen. Torcer já é duro, mas é nosso dever, nossa paixão. Mas aquele gosto de azia que a gente sente na arquibancada quando fechamos os olhos e voltamos a 2008, e quando abrimos, vemos que estamos em 2018, fica maior ainda quando a gente tem que escrever sobre o Fluminense atual. É muito difícil jogar a culpa no Abel ou em algum destes jogadores. À exceção do lateral-reserva Marlon, que parece ter nojo do Fluminense, de si próprio ou de jogar futebol, tamanho o enfado da criança com a bola nos pés, os demais são dedicados, empenhados e honram a camisa tricolor. Se a maioria deles não tem qualidade suficiente para estar ali, a culpa não é deles, mas de quem os colocou lá. Mas...

Fluminense x São Paulo

Aguirre tem pouco tempo no São Paulo. Logo que chegou, encarou uma semifinal de paulista e um mata-mata na Copa do Brasil, contra dois adversários muito duros, o Corinthians e o Atlético Paranaense. Caiu nos dois. Aguirre tem um desafio no São Paulo: Transformar investimento em performance. Rogério Ceni tentou a implantação de um novo modelo e sucumbiu. Dorival teve mais tempo, mas o São Paulo não evoluiu nada com ele. É a vez de Aguirre pegar um elenco que conta com nomes como Rodrigo Caio, Arboleda, Anderson Martins, Militão, Reinaldo, Petros, Jucilei, a revelação Liziero, Hudson, Cueva, Nenê, Diego Souza, Valdívia, Everton (ex Fla), Tréllez, Marcos Guilherme e transformá-lo num time de futebol confiável e competitivo. Montar um bom time, adequar as características de cada um ao que o tr...

Aquele bar ruim que você respeita

Sabe aquele botequim, o velho bar de português, o cospe-grosso, o botecaço mesmo, que a gente sabe que não devia estar ali, mas adora? Ok, talvez nem todos saibam ou tenham adotado um para chamar de escritório. Seja por idade, seja por preferir “points da moda com letreiro em neon, visual requintado, camarão com sotaque, tofu defumado”, como canta meu eterno professor de gramática, o tricolor Paulinho do Cavaco, em “Saudade dos meus botequins”. Suponhamos, porém, que o amigo leitor da Flupress entenda do métier, essa palavra tão démodé quanto a expressão démodé. Daqueles que pedem ampola em vez de garrafa, traçam o pernil do mostruário, rebatem com um digestivo e largam a pendura no prego. Deu leitura? Pois bem. O Fluminense, este time do Fluminense, é aquele bar ruim que você respeita. Pa...

10 jogos nos quais o Fluminense buscou a vitória em desvantagem numérica

Ainda no embalo da heróica vitória de domingo passado quando, contando-se os acréscimos dos dois tempos, o Fluminense venceu atuando cerca de 85 minutos com um jogador a menos, fui atrás de outros jogos onde o Tricolor buscou a vitória depois de uma expulsão. Dez momentos de bravura. Algumas boas lembranças para manter o bom astral essa semana. A lista não é exaustiva. 1) Goiás 1 x 2 Fluminense – 28/06/2015 Campeonato Brasileiro Serra Dourada Foi a última vez que o Fluminense conseguiu esse feito antes da grande vitória contra o Cruzeiro. Aos 10 minutos do 2º tempo quando o placar apontava 1×1, Gum, tal qual o uruguaio Suarez na Copa de 2010, trocou um gol certo do adversário por um pênalti e sua expulsão. Cavalieri defendeu a cobrança e o Flu, com um a menos, virou o jogo atrav...

Sobre raça

Tive que rever o jogo para definir melhor que tipo de partida fez o Fluminense. Porque esse 1 x 0 pode facilmente ser entendido de diversas formas. E desconfio que várias delas estariam certas, fiéis ao que foi o confronto contra o clube que talvez seja o maior freguês do Fluminense dentre os grandes do país. Vi um Fluminense limitadíssimo em peças e em alternativas, inferiorizado numericamente e incapaz de buscar alguma jogada trabalhada contra um time que nitidamente tem valores individuais melhores que o nosso. Mas ao mesmo tempo vi uma equipe comovente em sua luta para sair com a vitória de um Maracanã incrivelmente coeso, apesar de vazio. O time dos irritantes chutões pra frente foi também o time da recomposição aguerrida; o time com incrível dificuldade de explorar a fraqueza psicoló...

Juiz leva o Fluminense à vitoria

Tenho quase 40 anos de Maracanã. Metade deles vendo jogos de todos os times. A maioria, claro, do Flu. Mas ontem, pela primeira vez, vi o Fluminense ganhar graças à arbitragem. Deslavadamente. Um juiz que favoreceu o Fluminense durante os 98 minutos. Sim, ele deu oito minutos de acréscimos. Vamos combinar que o time do Fluminense, graças ao trio Peter/Mario/Abad, é infinitamente pior que o mistão cruzeirense. E a perspectiva, ontem, era a pior possível. Mas aí entrou em campo o Flávio Rodrigues de Souza. Uma coisa inimaginável. Primeiramente, expulsou o Gilberto com um tesão jamais visto. Nós, na arquibancada, achamos injusto. Mas ao ver o replay pelo celular, vimos que nem foi tanto assim. Foi justo. Mas os jogadores não têm celular. E tesão do árbitro na expulsão, somado à total falta de...

Pequenas metas, grandes objetivos

Não tem mais volta! A forma de gerir futebol, como um dia conhecemos, acabou. Serve, no máximo, para rirmos das muitas histórias engraçadas dos dirigentes folclóricos que passaram por vários clubes do país. É inconcebível que se faça futebol hoje, sem os elementos (se não todos, vários deles) que exponho a seguir: – Planejamento Estratégico – Infraestrutura – Gestão adequada dos Recursos Humanos – Cultura que valorize a formação de talentos – Mentalidade vencedora – Sustentação financeira – Melhoria contínua de processos administrativos e esportivos Hoje eu quero falar com vocês sobre o último item. A melhoria contínua dos processos esportivos. E como pequenas metas, objetivas, se alcançadas, podem resultar em aumento de performance e consequenteme...

“La Casa de Abel”

A reboque da série do momento, a torcida tenta embalar o Fluminense ao som de “Bella Ciao”. Em “La Casa de Abel”, de fato será necessário erguer a bandeira centenária para estancar a sangria do encarnado. Será um ano no qual, de Rio a Tóquio, passando por Berlim e Nairóbi, tricolores em toda a terra deverão estar atentos aos mínimos detalhes do plano do professor. Não há margem de erro. Bem sei que o Abel desperta amores e, se não ódio, ao menos irritação em nossa arquibancada. Não condeno. A eterna busca pelo novo Gabiru que nunca chega (Maranhão, Romarinho, João Carlos…) estraga segundos tempos, entrega vagas e campeonatos. Não perfilo entre os que acham Abelão um ultrapassado. Vejam o time atual. É fraco. É o feio, mas arrumadinho. Vence pouco nos momentos ...

Ousar é necessário

Em 1969 o Fluminense tinha um time formado por ótimos jogadores, quase todos contratados por preço baixo ou formados em casa. Os competentíssimos Oliveira e Assis vieram do futebol paraense. O craque Samarone foi achado na Portuguesa Santista, mesmo clube de onde veio o extraordinário lateral esquerdo Marco Antônio, ainda juvenil. Lula, outro craque, veio do Ferroviário de Natal, que nem existe mais. Cláudio, o Garcia, veio da Prudentina de São Paulo. Todos frutos de um trabalho que hoje tem o pomposo nome de “captação” feito com maestria. Denílson, o Rei Zulu, era prata da casa. Apenas o goleiro Félix e o zagueiro Galhardo já eram conhecidos no futebol quando chegaram ao Fluminense. O Fluminense tinha em mãos um time barato montado com competência ao longo dos anos anteriores. Mas era um ...